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O que é open banking e suas vantagens para quem usa serviços financeiros

Saiba o que é open banking e entenda as mudanças práticas que essa inovação financeira pode trazer ao seu dia a dia.

15 de dezembro de 2021 Atualizado em 10 de maio de 2022

Você com certeza já ouviu falar, mas será que realmente sabe o que é Open Banking? O Open Banking, ou sistema bancário aberto, é uma regulamentação que prevê o compartilhamento de dados, produtos e serviços e também a integração entre plataformas financeiras, startups e fintechs. 

Na prática, o Open Banking garante que, com a autorização prévia do consumidor, os dados bancários possam ser compartilhados com qualquer instituição, tudo por meio de integração de APIs, garantindo mais autonomia para o cliente final.

Foi em janeiro de 2018 que essa nova regulamentação entrou em vigor na Europa e, no mesmo período, as discussões sobre a sua chegada no Brasil explodiram! Mas foi só em 2021 que o Banco Central decidiu colocar essa regulamentação em vigor.

Em março de 2022, o Banco Central ampliou o Open Banking, que passou a se chamar de Open Finance. Na prática, o Open Banking era restrito a dados e a serviços relacionados a produtos bancários tradicionais, enquanto o Open Finance prevê o compartilhamento de informações sobre outros serviços financeiros, entre eles investimentos, seguros e previdência.

O que é Open Banking?

O Open Banking, ou sistema financeiro aberto, é uma regulamentação que será implementada através de quatro fases no Brasil até o final de 2021.

O Open Banking vai trazer a possibilidade de clientes de produtos e serviços financeiros permitirem o compartilhamento de suas informações entre diferentes instituições autorizadas pelo Banco Central. Ou seja, você passa a ser dono dos seus dados bancários e decide com quem deseja compartilhá-los.

O conceito do Open Banking tem como base o princípio de que os dados gerados através de instituições financeiras pertencem ao usuário e não à instituição na qual eles estão armazenados.

Apoiando-se nesse princípio fundamental, o Open Banking determina que as instituições participantes disponibilizem aos seus clientes uma forma eficiente e segura de compartilhar seus dados, se eles assim desejarem e autorizarem.

Como o Open Banking influenciará a vida bancária do brasileiro?

Historicamente, o mercado financeiro sempre funcionou da mesma forma: o usuário abre sua conta e todas as transações são realizadas dentro desta mesma empresa, mantendo todas as suas informações em posse desta instituição. 

Agora que você sabe o que é Open Banking, pode entender como isso limita as oportunidades, aumenta as barreiras e direciona os produtos financeiros pela ótica da empresa, limitando preço, modo de oferta e operacionalização.

O Open Banking surge para mudar essa realidade, já que as informações financeiras dos usuários pertencem a eles e não às instituições.

Leia mais: Como fazer um bom planejamento financeiro pessoal

Com isso, o usuário permite o compartilhamento de seus dados e suas movimentações financeiras, além de utilização de produtos e realização de serviços entre as instituições reguladas pelo Banco Central.

Essa regulamentação abre um leque de possibilidades com outras instituições financeiras e, assim, o usuário pode ter mais autonomia sobre as suas decisões financeiras, já que não depende de uma única instituição.

Quais as vantagens do Open Banking para quem usa serviços financeiros?

Já que os dados, por muito tempo, foram posse de uma única instituição, os serviços foram vendidos de forma vertical, ou seja, estavam limitados à estrutura e funcionalidade de cada instituição financeira. Com o cenário do open banking, devemos experienciar uma horizontalidade nos serviços. 

Além disso, as instituições financeiras devem passar a se concentrar mais em suas operações principais, o que possibilita que outras empresas tenham acesso às suas interfaces e desenvolvam novos produtos a partir disso.

Entendi o que é Open Banking, mas qual é a história por trás dele?

O conceito de Open Banking surgiu na Europa por volta de 2010 e começou a ser implementado na prática com a criação da segunda Diretiva de Serviços de Pagamento (PSD2), em 2018, uma atualização da Diretiva de Serviços de Pagamento (PSD1).

Essa diretiva é a principal regulamentação do sistema de pagamentos europeu, contendo as regras básicas e requisitos para seu funcionamento. A PSD2 tem 4 objetivos principais:

  • Contribuir para o desenvolvimento de um mercado de pagamentos europeu mais integrado e eficiente;
  • Nivelar as condições de atuação dos provedores de serviço de pagamentos (incluindo a facilitação de entrada de novas empresas no mercado), ou seja, incentivar uma maior competição;
  • Tornar transações de pagamento mais seguras;
  • Proteger os consumidores.

Tendo esses objetivos como foco, foi a PSD2 que determinou a abertura das informações bancárias entre as instituições europeias, se apoiando no princípio de que o dono desses dados é o cliente. 

Portanto, foi ela que criou os pilares regulatórios para a definição do conceito de Open Banking e sua implementação no sistema financeiro europeu.

Conheça as quatro fases do Open Banking

O Open Banking será implementado de forma gradual em quatro fases. Confira o início de cada uma delas:

Fase 1 – Fevereiro de 2021

Informações sobre produtos e serviços.

Na primeira fase há o compartilhamento dos canais de atendimento, localização das agências, produtos e serviços financeiros.

Fase 2 – Agosto de 2021

Inicia o compartilhamento de dados entre instituições.

Na segunda fase, há o compartilhamento de dados pessoais e transacionais como, extrato da conta e cartão de crédito, empréstimos contratados e etc.

Fase 3 – Outubro de 2021

Inicia o compartilhamento de serviços de pagamento.

Na terceira fase, é possível ter acesso a serviços de pagamentos e transferências fora do ambiente do banco.

Fase 4 – Dezembro de 2021

Expansão para outros produtos e serviços.

Na última fase, será possível compartilhar outros dados de produtos e serviços, relacionados a operações de câmbio, investimentos, seguros e previdência.

Quais instituições participam do Open Banking?

Bancos, Instituições Financeiras, Instituições de Pagamentos. Fintechs, Corretoras de Investimentos, Corretoras de Seguros que funcionam sob regulamentação do Banco Central poderão participar, sendo divididas entre obrigatórias e não obrigatórias.

Vale ressaltar que somente instituições reguladas pelo Banco Central podem participar do Open Banking no Brasil.

Instituições obrigatórias do Open Banking

As instituições classificadas como S1 e S2 têm participação obrigatória em todas as fases. As instituições S1 são aquelas que possuem porte igual ou superior a 10% do PIB ou que tenham atividade internacional relevante.

Já as instituições S2 são aquelas que possuem entre 1% e 10% do PIB. Alguns exemplos são: Banco do Brasil, Caixa Econômica, Itaú, entre outros.

Para a fase 3, é obrigatória a participação das instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central, que disponibilizem contas transacionais a seus clientes, mesmo não sendo S1 ou S2.

Leia mais: O que é PIB e qual sua relação com o crescimento econômico?

Instituições não obrigatórias do Open Banking

Aquelas instituições reguladas que não se enquadram nos critérios anteriores podem aderir ao Open Banking de forma voluntária, isto é, podem escolher se vão participar ou não.

A tendência é que a maioria participe, já que elas obterão grandes benefícios com o sistema. O PicPay, por exemplo, é uma das instituições que vai participar.

É importante lembrar que as empresas que aderirem voluntariamente terão o direito de receber dados de seus concorrentes, mas também serão obrigadas a compartilhar os dados de suas respectivas bases – quando os clientes consentirem – respeitando um princípio muito importante sobre o que é Open Banking, o da reciprocidade.

Vantagens do Open Banking

O grande objetivo das regulações de Open Banking ao redor do mundo é dar ao cliente maior liberdade e autonomia na hora de escolher com quem ele vai contratar um determinado produto ou serviço financeiro, aumentando a concorrência no mercado, ao nivelar o acesso à informação.

Como assim? Vamos supor que um cliente tenha usado a vida inteira somente um banco. 

Ao longo desses anos esse cliente criou um histórico de movimentações financeiras, incluindo contas pagas em dia, salários recebidos, parcelas de financiamentos e empréstimos, saldo em conta, saldo investido, entre outras.

Essas informações são muito importantes para que instituições financeiras, fintechs etc. precifiquem e disponibilizem produtos e serviços financeiros para seus clientes. 

Porém, atualmente, não é possível compartilhar essas informações com outras instituições. Se o cliente quiser mudar de banco, seus dados ficarão presos na instituição anterior e seu relacionamento com o novo banco terá que começar do zero, o que faz com que, ao menos no início, as condições ofertadas pelo novo banco geralmente sejam piores que as do anterior. 

Ou seja, os clientes acabam ficando reféns dos bancos com quem possuem relacionamentos mais longos, favorecendo a concentração bancária.

Ao compartilhar seus dados você terá inúmeros benefícios, como:

Melhores condições na aquisição de produtos financeiros

Com o Open Banking, as instituições serão capazes de oferecer a melhor oferta para o usuário, sendo cliente ou não, por exemplo, uma melhor taxa na contratação de empréstimo, um limite maior no cartão de crédito.

Ofertas segmentadas e personalizadas

Através do Open Banking, as instituições entenderão melhor qual o momento de vida financeiro de cada pessoa e poderá ofertar produtos direcionados para isso, exemplo, se você possui saldo positivo na conta e parado, poderá receber uma recomendação para investir ao invés de contratar um empréstimo.

Maior acompanhamento e controle da sua vida financeira

Sabendo o que é Open Banking, e como seus dados serão de sua autoridade e você terá o poder de decidir se deseja compartilhá-los com alguma instituição, terá maior visibilidade das suas entradas e saídas, facilitando a gestão do seu dinheiro.

Como usar o Open Banking

A partir de julho de 2021 as instituições obrigatórias e voluntárias do Open Banking incluirão em suas plataformas a possibilidade de compartilhar suas informações com outros participantes. Esse compartilhamento é chamado de gestão do consentimento.

Gestão de consentimento

A gestão do consentimento no Open Banking é o processo que permitirá que você compartilhe suas informações com as instituições. É possível inserir o tempo, quais dados e informações compartilhar e não compartilhar com as empresas.

  • Quais dados serão compartilhados no Open Banking;
  • Canais de atendimento;
  • Produtos e serviços das instituições;
  • Dados cadastrais;
  • Transações financeiras;
  • Operações de câmbio;
  • Dados de investimentos;
  • Dados de seguros.

Open Banking no PicPay

O PicPay, empresa de tecnologia e maior plataforma de pagamentos do Brasil, anunciou em julho de 2021 a aquisição do Guiabolso, precursor do Open Banking no Brasil.

A aquisição tem o objetivo de posicionar o PicPay como protagonista do Open Banking, além de acelerar a nossa operação de marketplace financeiro da empresa, que já conta com cartão, crédito pessoal e empréstimo entre pessoas.

Com a aquisição, o PicPay passa a absorver totalmente a operação do Guiabolso, que tem 6 milhões de usuários e R$ 1 bilhão em crédito concedido por meio de parceiros na plataforma.

Segundo Eduardo Chedid, VP de Serviços Financeiros do PicPay, o negócio também está alinhado ao propósito de democratização do crédito do PicPay, uma marca importante da atuação da companhia que, assim como o Guiabolso, foi fundada em 2012. 

“O Guiabolso e o PicPay são líderes da transformação pela qual o sistema financeiro vem passando e agora, juntos, vão dar mais um passo na missão de melhorar a relação das pessoas com o dinheiro e revolucionar o sistema financeiro brasileiro”, conta Thiago Alvarez, fundador do Guiabolso, e que se juntará ao time do PicPay como diretor responsável por Open Banking.

O Guiabolso nasceu com a missão de melhorar a saúde financeira dos seus usuários e transformar o sistema financeiro brasileiro. 

Para isso, a empresa inovou dentro da indústria financeira, partindo da premissa de que quem é dono dos dados financeiros é o usuário e que, com o compartilhamento deles, é possível ter acesso a uma gestão e produtos melhores do que no próprio banco. 

Dessa forma, a fintech desenvolveu uma expertise sem precedentes em inteligência de dados e também foi precursora do movimento que está acontecendo agora com a chegada do open banking.

Com a operação, o PicPay também passa a ser detentor de toda essa expertise tecnológica, de inteligência de dados e de execução do Open Banking. 

O Open Banking é seguro?

Sim. É importante entender que Open Banking não significa que os dados de todo mundo são públicos, mas sim, que as pessoas têm controle para compartilharem com quem e quando quiserem.

Leia mais: Como fazer pagamentos seguros e evitar golpes financeiros

Cada instituição participante do Open Banking é responsável por garantir a segurança do compartilhamento dos dados de seus clientes. Foram criados mecanismos para garantir a autenticidade e segurança das instituições participantes, que compartilharão os dados de forma criptografada.

LGPD

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, LGPD, é peça fundamental para a segurança do compartilhamento dos dados pelo Open Banking. Essa lei estabelece as normas sobre como as empresas coletam, processam, armazenam e destroem dados pessoais e sensíveis de seus clientes e usuários, visando melhorar a privacidade dessas informações.

O custo dos serviços bancários e do crédito vão diminuir com o Open Banking?

É bem provável que haja um cenário positivo em termos de custos para os consumidores, já que existe uma tendência a um aumento da competitividade do mercado e a possibilidade de realizar a comparação das contas de diferentes instituições e seus respectivos produtos financeiros. 

Leia mais: Saiba tudo sobre o empréstimo pessoal no PicPay

Desta forma, a proposta é que o usuário passe a ter visão de toda a sua vida financeira em um só lugar e com acesso aos produtos mais adequados ao seu perfil e com taxas mais atrativas.

Qual a importância do Open Banking neste momento?

A chegada e a manutenção do cronograma de regulamentação é um movimento positivo para o mercado brasileiro. 

A chegada do Open Banking permite uma rica troca de dados em tempo real que proporciona uma avaliação mais rápida e precisa sobre a saúde financeira de um negócio. 

Com o novo sistema, é possível conhecer a saúde de um negócio, seu nível de liquidez bem como seus fluxos de caixa.

O Open Banking se torna uma ferramenta vital para garantir que as empresas possam mitigar os riscos criados durante a pandemia e fornecer de maneira eficiente uma recuperação econômica robusta. 

À medida que o open banking consiga, efetivamente, democratizar o acesso de empresas aos clientes e o acesso de clientes a mais produtos e serviços, então haverá uma efetiva redução de custos para o cliente, como crédito e financiamentos. 

Como vai funcionar o compartilhamento de dados do Open Banking? 

Todo o processo de pedir o compartilhamento de dados pessoais de uma instituição para outra será padronizado, ou seja, terá a mesma lógica. 

Cada instituição poderá personalizar apenas recursos adicionais, como suas cores ou uma camada de segurança extra. Os clientes sempre precisarão solicitar o dado que desejam compartilhar na instituição recebedora da informação. 

O compartilhamento de dados para empresas funcionará da seguinte maneira: quando o usuário acessar a fintech e der seu consentimento, a fintech vai se conectar ao banco informando que um pedido de compartilhamento de dados foi feito.

Será possível cancelar um compartilhamento de dados?

O Open Banking tem a garantia de cancelamento. O usuário tem total independência para cancelar o compartilhamento quando quiser. 

Se você sabe o que é Open Banking e não estiver satisfeito, bastará cancelar. Mesmo se quiser alterar algum ponto do compartilhamento já feito, será possível cancelar e fazer um novo sem problema nenhum. 

As instituições podem usar os dados para qualquer coisa?

Não. As instituições somente podem usar os dados para fins definidos e acordados com o usuário que solicitou o compartilhamento de determinada informação.

Qual é a diferença entre Open Banking e Open Finance?

O conceito Open Banking denota um escopo menor e está relacionado apenas aos bancos, enquanto que o conceito Open Finance possui um escopo maior incluindo diferentes segmentos financeiros.

Apesar das diferenças entre os conceitos, o Brasil segue um escopo mais amplo, porém o nome dado pelo Banco Central segue sendo Open Banking.

Tem que pagar para usar Open Banking?

Não, ao consentir o compartilhamento dos seus dados com qualquer instituição não é necessário fazer o pagamento por isso.

Todos os bancos terão Open Banking?

Sim, caso queira conhecê-los, consulte a lista com as todas as instituições obrigatórias a participarem do Open Banking.

Agora que você sabe tudo sobre open banking, que tal conferir mais dicas para cuidar das finanças? Confira nossos conteúdos com dicas para cuidar do seu dinheiro.

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