O que é PIB e qual sua relação com o crescimento econômico?

Entenda o que é PIB, como é calculado, sua relação com o crescimento da economia brasileira e os principais impactos no seu dia a dia

9 de maio de 2022 Atualizado em 1º de setembro de 2022

Você já deve ter ouvido falar dele. É comum ouvirmos por aí as notícias sobre o PIB do Brasil, que normalmente está relacionado ao crescimento do país. Mas o que é PIB? Como ele é calculado, o que significa e por que importa para o seu dia a dia?

São algumas das respostas que você vai encontrar neste conteúdo, mas nada de complicações ou termos técnicos. Tudo bem simples para acabar de vez com esse mistério.

O que é PIB?

Se você quer saber o que significa a sigla PIB, a resposta é Produto Interno Bruto. No entanto, isso explica pouco sobre o que de fato o PIB representa, certo?

O que é o Produto Interno Bruto, então? É a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país, estado ou cidade em um determinado período, que pode ser em um trimestre ou ano, por exemplo.

Calcular o PIB é algo comum em todos os países, e a conta é feita na moeda de cada um. Mais abaixo vamos explicar como o cálculo do PIB é realizado.

Como o PIB está relacionado com o crescimento econômico?

O PIB é considerado a principal forma de medir o crescimento econômico de uma região ou país. Quanto maior é o PIB, maior é a economia daquele local, o que indica que mais pessoas investem e consomem nele. Um PIB maior também indica uma renda maior da população.

Aqui, é importante explicar o que é PIB per capita: é a divisão do PIB pelo número de habitantes do país ou região em questão. Ele mede quanto do PIB caberia a cada um se todos recebessem partes iguais.

O PIB per capita também é importante para calcular o desenvolvimento econômico (que é diferente de crescimento econômico!), porque, quanto maior o PIB por pessoa, a tendência é que a qualidade de vida aumente, porque há mais acesso a serviços de qualidade e boas condições de moradia e alimentação, por exemplo.

Mas apenas o PIB per capita não considera outras medidas de desenvolvimento econômico, como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Ou seja, ele deve ser considerado em conjunto com outros fatores para uma análise mais profunda de um país.

Para que serve o PIB?

De volta ao PIB, ele está relacionado ao crescimento econômico porque permite diversas análises. As principais são:

  • Comparar o desempenho do PIB ano a ano;
  • Comparar as economias de diversos países;
  • Analisar o PIB per capita, como você viu acima.

No entanto, o PIB é apenas um indicador que funciona como termômetro da economia. Ele ajuda a entender o desempenho econômico, mas não considera fatores como distribuição de renda, qualidade de vida, educação e saúde. 

Como vamos ver mais abaixo, é possível encontrar exemplos de países com um PIB pequeno, mas com alto padrão de vida da população. O contrário também acontece.

Outro equívoco comum é achar que o PIB representa a riqueza de um país, como se fosse um valor a que se pode recorrer como uma espécie de “poupança” em casos de emergência.

Não funciona assim. Como você vai conferir mais para frente, quando falarmos sobre o cálculo do PIB, ele é um indicador de fluxo de novos bens e serviços produzidos em um período. Se nada for produzido, o PIB do local será nulo.

Qual a diferença entre PIB e Tesouro Nacional?

O PIB, diferentemente do Tesouro Nacional, não é o melhor indicador para calcular a riqueza de um país.

A melhor forma de calcular a riqueza de um país é o próprio Tesouro Nacional, que funciona como um caixa do governo. O Tesouro recebe o dinheiro que é arrecadado por meio de impostos pela Receita Federal, além de outras instituições, e faz a gestão dos recursos.

Essa gestão feita pelo Tesouro tem como objetivo cumprir os gastos que o governo planeja para um período específico, em áreas como saúde e educação, e que estão previstos no orçamento público.

Como calcular o PIB?

No Brasil, o PIB é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Agora que você sabe o que é PIB, pode estar se questionando o que significa ele ser resultado da soma de todos os bens e serviços finais produzidos.

É simples: o PIB mede bens e serviços finais para não contar a mesma coisa mais de uma vez. Olha só o exemplo do próprio IBGE para explicar:

“Se um país produz R$ 100 de trigo, R$ 200 de farinha de trigo e R$ 300 de pão, por exemplo, seu PIB será de R$ 300, pois os valores da farinha e do trigo já estão embutidos no valor do pão.”

Isso significa que não são considerados os chamados itens e bens “primários e intermediários” (antes de se chegar ao produto final) para que não seja feita uma contagem dupla.

Para saber como calcular o PIB, o IBGE considera o preço que chega ao consumidor pelos bens e serviços finais que compõem o cálculo. Ou seja, impostos sobre os produtos comercializados também entram na conta.

É considerado no cálculoNão é considerado no cálculo
Bens e produtos finais (vendidos ao consumidor final);Bens intermediários (produtos utilizados na produção de um produto final, ou seja, as matérias-primas);
Serviços (atividades remuneradas);Serviços não remunerados;
Investimentos (gastos de empresas privadas ou do governo com o objetivo de aumentar a produção);Bens que já existem (uma casa só é levada em consideração quando construída. Quando ela é revendida, não entra no cálculo);
Gastos do governo (o que é gasto para atender as demandas populacionais).Atividades informais.

Qual a diferença entre PIB real e PIB nominal?

Para analisar o desempenho do PIB ao longo de um período, é importante diferenciar PIB real e PIB nominal. A principal diferença entre o PIB real e o PIB nominal é o preço levado em conta na hora do cálculo.

O PIB nominal considera os preços correntes dos produtos e serviços que compõem o PIB, ou seja, o valor deles no ano em que foram produzidos e comercializados.

Já o PIB real faz o cálculo a partir de preços constantes. É definido um ano-base para calcular o PIB, e assim não se considera o efeito da inflação.

Leia mais: O que é inflação? Veja dicas para reduzir o impacto no bolso

Qual a relação entre PIB e inflação?

Essa distinção entre PIB real e PIB nominal é feita porque é importante entender qual foi o crescimento do país sem considerar a inflação, como faz o PIB real. A inflação nada mais é do que um aumento generalizado de preços.

Ou seja, se as coisas produzidas e vendidas estão mais caras, o PIB será maior, o que pode dar a ilusão de que a economia cresceu. Mas não é a realidade.

Essa é a relação entre PIB e inflação: se os preços sobem com a inflação, o PIB também vai crescer. No entanto, isso não significa que o país produziu mais naquele período.

A alta do dólar influencia no PIB?

A alta do dólar impacta a nossa vida cotidiana e também pode influenciar o PIB. Isso acontece especialmente pelo papel que a moeda norte-americana tem sobre a inflação.

Quando o dólar sobe, ele pressiona a inflação a subir também, porque o Brasil depende de matérias-primas importadas para diversas finalidades. Com a moeda mais cara, esses insumos também se tornam mais caros.

Dessa forma, a inflação mais alta também influencia o PIB, como você viu acima.

Como a taxa de juros influencia o PIB?

Da mesma forma que a inflação e o dólar podem influenciar o PIB, a taxa de juros também pode impactar a economia.

Já explicamos o que é Selic, a taxa básica de juros da economia, e como ela influencia o seu dia a dia. De forma resumida, os juros sobem quando o Banco Central busca controlar a inflação.

Esse controle é feito, entre outros fatores, porque a taxa de juros mais alta desestimula as pessoas a consumirem e a investirem no país. Com isso, a demanda por produtos e serviços cai, e os preços tendem a diminuir.

Com isso, a alta da Selic tem um efeito gradual de desaquecer a economia e, portanto, pode “segurar” o crescimento do PIB. 

O que provoca o crescimento do PIB?

Agora que você já sabe o que é PIB, certamente entende que ele leva em conta o que é produzido e comercializado no país. Portanto, para que o PIB cresça, é preciso que mais bens e serviços girem na economia.

Para isso acontecer, as indústrias e empresas devem produzir em maior quantidade. E isso será feito quando elas perceberem que a demanda subiu, ou seja, os consumidores estão produzindo mais.

O consumo das famílias é responsável por cerca de 80% do PIB brasileiro, junto com os investimentos privados.

Além do aumento da demanda, outros fatores influenciam o crescimento do PIB, como os investimentos que o governo faz. A administração federal pode investir em educação, novas obras de infraestrutura e tecnologia, por exemplo. Isso gera empregos.

Com mais empregos, as pessoas têm mais renda (ou seja, dinheiro) para comprar e investir.

Além disso, os investimentos do governo também podem incentivar as empresas brasileiras, que se tornam mais competitivas e conseguem exportar mais. Se as exportações crescem e superam as importações (aquilo que o país compra de fora), isso favorece a balança comercial, que justamente é a relação entre as exportações e importações. E isso, por sua vez, impulsiona o crescimento do PIB.

Esses são alguns exemplos, mas todos os cenários têm prós e contras. Por exemplo, se há um aquecimento muito grande da economia e a demanda cresce muito, isso pode gerar um aumento de preços, porque há mais pessoas buscando os mesmos produtos.

A inflação, por sua vez, pode comprometer o cenário de crescimento da economia, como vimos acima. É por isso que a relação entre o crescimento do PIB e uma crise é sensível e envolve riscos.

O PIB influencia os investimentos?

Sim, pode influenciar. Quando o PIB está em tendência de crescimento, em geral investimentos no setor produtivo (como na própria indústria, por exemplo a construção civil) costumam ter rendimentos mais interessantes do que a renda fixa. Um exemplo disso é a bolsa de valores.

Mas aqui cabe um ponto de atenção: se o cenário for de crescimento do PIB e também da inflação, pode não ser bem assim. Isso porque, para conter a inflação, os juros tendem a subir, o que pode devolver a relevância a investimentos na renda fixa, como o CDI (Certificado de Depósito Interbancário), e prejudicar a renda variável, como ações.

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Ah, vale lembrar: o PIB é só um dos fatores da economia que podem influenciar os investimentos. Os indicadores devem sempre ser considerados dentro de um contexto maior, beleza?

Qual é o PIB do Brasil?

E quanto é, afinal, o PIB do Brasil? Em 2021, o PIB brasileiro foi de R$ 8,7 trilhões, 4,6% maior do que em 2020.

Em 2022, o Produto Interno Bruto trimestral cresceu 1,2% no segundo trimestre do ano, na comparação com o trimestre anterior. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o PIB cresceu 3,2%.

Nos primeiros três meses do ano, a alta havia sido de 1,1% contra o trimestre anterior. Com esse avanço, a economia brasileira terminou o primeiro semestre de 2022 com alta de 2,5%.

Mais uma vez, o crescimento foi puxado sobretudo pelo setor de serviços, que representa cerca de 70% do PIB do país e tem se recuperado após a pandemia, quando foi um dos mais afetados.

Uma reportagem do jornal Valor Econômico mostra que o crescimento da economia do Brasil no segundo trimestre, em relação aos primeiros três meses do ano, fez o país apresentar o 12º melhor desempenho no período entre 50 países.

E como tem sido a evolução do PIB brasileiro recentemente? Para traçar o cenário dos últimos anos, é preciso voltar a 2015. Naquele ano, o PIB brasileiro havia caído 3,8% em relação ao ano anterior. Já em 2016, houve uma nova queda, de 3,6%. 

Dois anos seguidos de recuo do PIB do Brasil só haviam sido registrados antes entre 1930 e 1931. Mas, mesmo naquele período, a queda observada foi menor do que em 2015 e 2016.

Ou seja, há alguns anos o Brasil enfrentava a pior crise econômica da sua história. O país começou a se recuperar em 2017, mas ainda assim viu um crescimento pequeno. Em 2017, o PIB cresceu 1,3%; em 2018, avançou 1,8%; e, em 2019, subiu 1,2%.

O crescimento, no entanto, foi atravessado por um problema que afetou a economia mundial como um todo: a pandemia do coronavírus. Em 2020, o PIB voltou a cair e registrou um tombo histórico, de 3,9%.

Já em 2021, o Brasil entrou no que se chama de “recessão técnica”, que acontece quando o PIB recua em dois trimestres seguidos. 

A recessão técnica foi confirmada quando houve a divulgação do PIB do terceiro trimestre de 2021, período em que o indicador caiu 0,1% em relação ao segundo trimestre. E no próprio segundo trimestre o PIB havia recuado 0,4%.

A boa notícia é que, no último trimestre do ano, o PIB voltou a crescer e o país deixou a recessão técnica. A alta foi de 0,5% no quarto trimestre, em relação ao trimestre anterior.

No ano de 2021 como um todo, o PIB do Brasil cresceu 4,6% e recuperou as perdas observadas durante a pandemia.

Confira abaixo a variação do PIB real brasileiro nos últimos dez anos.

AnoVariação do PIB
20214,6%
2020-3,9%
20191,2%
20181,8%
20171,3%
2016-3,3%
2015-3,5%
20140,5%
20133,0%
20121,9%

PIB dos estados brasileiros

Um fator fundamental no cálculo do PIB é a participação de cada estado do país. Veja na tabela abaixo qual é o PIB dos estados brasileiros.

EstadoPIB em 2019 (R$ 1.000.000)
Acre15.630
Alagoas58.964
Amapá17.497
Amazonas108.181
Bahia293.241
Ceará163.575
Distrito Federal273.614
Espírito Santo137.346
Goiás208.672
Maranhão97.340
Mato Grosso142.122
Mato Grosso do Sul106.943
Minas Gerais651.873
Pará466.377
Paraíba67.986
Paraná178.377
Pernambunco197.853
Piauí52.781
Rio de Janeiro779.928
Rio Grande do Norte71.337
Rio Grande do Sul482.464
Rondônia47.091
Roraima14.292
Santa Catarina323.264
São Paulo44.689
Sergipe2.348.338
Tocantins39.356

Quais são os maiores PIBs do mundo?

Qual é a posição do PIB do Brasil em relação aos outros países? Um levantamento da agência de classificação de risco Austin Rating, que aponta o ranking das maiores economias do mundo, aponta que o Brasil é o 13º colocado.

Entre 2010 e 2014, no mesmo levantamento, o Brasil ficou na 7ª posição. Já em 2019, o país apareceu como a 9ª maior economia do mundo. 

Desde 2020, o país não aparece mais no top 10, ultrapassado por Canadá, Coreia e Rússia no ranking das maiores economias do mundo.

Em 2020, foi para a 12ª posição no ranking e agora, com o resultado de 2021, foi para a 13ª, superado pela Austrália.

O ranking da Austin Rating faz o comparativo das maiores economias do mundo desde 1994. O levantamento considera o PIB dos países em valores correntes, em dólares.

As maiores economias do mundo, segundo a lista mais recente, são Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e Reino Unido. Confira o top 10 dos maiores PIBs abaixo.

  1. EUA
  2. China
  3. Japão
  4. Alemanha
  5. Reino Unido
  6. Índia
  7. França
  8. Itália
  9. Canadá
  10. Coreia do Sul

Para quem tem curiosidade sobre qual é o PIB dos EUA, em 2021 ele cresceu 5,7%, para um nível de US$ 23,99 trilhões de dólares. 

Já o PIB da China, segunda maior economia do mundo no ranking, cresceu 8,1% em 2021, ultrapassando a marca de 110 trilhões de yuans e chegando a US$ 17,3 trilhões de dólares.

Para se ter uma ideia, no primeiro trimestre de 2021 o PIB chinês cresceu 18,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, uma taxa de crescimento recorde, favorecida pela recuperação após a pandemia.

Nesse texto você aprendeu sobre o que é PIB. Quer saber mais sobre outros indicadores que são importantes para o seu dia a dia? Acesse nossa seção de conteúdos sobre educação financeira!

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