Quase 60% dos códigos produzidos por engenheiros do PicPay são gerados com Inteligência Artificial. O dado faz parte do relatório trimestral da DX, empresa parceira que mede o impacto do uso de AI em times de engenharia ao redor do mundo, e foi apresentado na edição de maio do Tech Talks PicPay.

O Tech Talks é um evento interno que reúne pessoas de diferentes áreas para conhecer, com mais profundidade, as iniciativas de tecnologia e inovação do PicPay. É um espaço onde os times compartilham desafios, aprendizados, soluções e resultados de forma aberta.

O evento recebe também profissionais do mercado para troca de experiências. Um deles foi Justin Reock, Field CTO da DX, que participou da sessão especial sobre técnicas avançadas de prompting — ou seja, formas mais eficientes de fazer perguntas e dar instruções para ferramentas de AI, especialmente assistentes de código.

O objetivo da sessão foi mostrar como obter respostas melhores logo na primeira tentativa, reduzir retrabalho e aumentar a confiança no que é gerado pela AI.

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O cenário global e os dados do PicPay

O relatório da DX analisa dados de mais de 120 mil engenheiros e mostra que o uso de AI está presente em 93% da indústria de tecnologia. Profissionais que usam as ferramentas no dia a dia economizam, em média, aproximadamente 5 horas por semana, e cerca de 30% do código que produzem conta com algum tipo de apoio de AI.

No PicPay, os números são ainda mais expressivos. Além dos 59,11% de código assistido por AI, as ferramentas utilizadas pelos times de engenharia têm um nível de satisfação de 92 pontos, mostrando boa aceitação e confiança no uso da tecnologia.

Justin também trouxe um dado importante para alinhar expectativas. O ganho médio de produtividade com AI na indústria é de 7,76% — um número realista, bem diferente das promessas de “5x” ou “10x” mais rápidas que costumam aparecer no mercado.

Isso acontece porque os engenheiros passam apenas de 14% a 16% do tempo realmente escrevendo código. O restante do tempo é dividido entre reuniões, revisões, correções de erros e mudanças de contexto entre tarefas.

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As 8 técnicas apresentadas

O conteúdo principal do Tech Talks foi um conjunto de técnicas de prompting pensadas para situações reais de empresas grandes, como sistemas antigos, ambientes críticos e projetos que evoluíram ao longo de muitos anos.

Em vez de aprofundar na parte técnica, a ideia foi mostrar como organizar melhor as interações com a AI para ganhar qualidade, segurança e eficiência no dia a dia.

  • Constraint-graph prompting: organiza regras e dependências de forma estruturada, ajudando a AI a entender o que influencia o quê;
  • Dual-implementation self-check: gera duas soluções para o mesmo problema e compara os resultados, garantindo mais confiança;
  • Diff-only refactor: sugere apenas as mudanças necessárias no código, facilitando a revisão;
  • Failure-first prompting: começa pelo erro e foca na correção mínima necessária;
  • Adversarial data-generator: cria cenários difíceis para testar se a solução é realmente robusta;
  • Rubric-then-solution: define critérios de qualidade antes de pedir a solução;
  • Repository-aware plan-and-apply: cria um plano claro antes de executar mudanças no código;
  • Reversible migration: já prevê o caminho de ida e volta em mudanças importantes, facilitando o rollback.

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O que ficou claro para os times

Um dos principais aprendizados foi que a qualidade do código gerado por AI não depende apenas da ferramenta em si, mas de todo o processo ao redor: como os pedidos são feitos, como os resultados são analisados e validados e como o time trabalha junto.

Esse ponto se conecta ao conceito de AI readiness — estar preparado para usar AI de forma eficiente. Isso inclui documentação clara, testes confiáveis, ciclos rápidos de feedback e código bem organizado.

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O que vem pela frente

O Tech Talks faz parte de uma estratégia contínua do PicPay para desenvolver e apoiar o uso responsável de AI entre os times. O conteúdo apresentado não ficou só na teoria: várias dessas técnicas já são testadas por squads internos em projetos reais.

Para quem não é da área técnica, a mensagem principal é simples: a inteligência artificial já faz parte do dia a dia das pessoas e aqui no PicPay, e o investimento não é só em tecnologia, mas também em aprendizado, colaboração e melhoria contínua.

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