O que provoca a queda ou alta do dólar?

Entenda o que causa a queda ou alta do dólar, sua relação com inflação, Selic e aumento dos preços, além dos impactos dessa flutuação para o seu bolso

13 de abril de 2022 Atualizado em 30 de junho de 2022

O dólar americano (USD) – sim, existem outros dólares, como por exemplo o canadense e o australiano – é assunto diário no noticiário brasileiro. Mas por quê? A gente vai te explicar o motivo da queda ou alta do dólar ser tão importante para o seu dia a dia. 

Desde 1999 o Brasil utiliza o sistema de câmbio flutuante para balancear o Real em relação a moedas estrangeiras, principalmente ao dólar, que é referência no mundo inteiro. 

A importância do dólar para o cálculo do valor de uma moeda se dá por diversos fatores, sendo alguns deles:

  • Estabilidade do dólar, mesmo em momentos de crise;
  • Importância e força da economia norte-americana em escala mundial;
  • Negociação de diversas commodities em dólar, como o barril de petróleo, por exemplo;
  • Reservas econômicas em dólar.

Sobre o sistema de câmbio flutuante, basicamente ele funciona com base na famosa lei de oferta e demanda, que você já conheceu melhor no nosso conteúdo sobre o que é inflação

Leia mais: Como comprar dólar online ou outras moedas no app PicPay

Quem diminui e quem aumenta o valor do dólar?

O que faz o dólar subir ou descer é a procura por dólar no País em comparação com a quantidade disponível. Se muitas pessoas e instituições buscam a moeda americana, mas a disponibilidade é baixa, o valor do dólar comercial sobe. 

Em contrapartida, se a quantidade de moeda está sobrando em relação à demanda por ela, a cotação dela diminui. Quer entender o que faz a oferta e a procura oscilarem? Continue a leitura.

O que faz o dólar subir

Nós já te falamos que o que provoca a alta do dólar é uma demanda pela moeda maior que a oferta. Algumas situações podem gerar esse movimento. As principais são:

  • Instabilidade política e econômica no Brasil: isso faz com que investidores estrangeiros retirem investimentos no país, reduzindo a oferta;
  • Juros altos nos Estados Unidos: se os juros estão altos nos EUA, a tendência é de que investidores brasileiros optem por colocar dinheiro lá;
  • Déficit comercial: quando o Brasil importa mais produtos do exterior do que exporta, o caixa de dólar interno é esvaziado;
  • Turismo no exterior em alta: turistas fora do país fazem com que a procura por dólar por aqui seja maior.

Alguns desses cenários puderam ser observados no Brasil nos dois últimos anos, quando o dólar comercial chegou a ser cotado a quase R$ 6, em 2020, recorde nominal histórico. 

Ou seja, foi o maior valor já registrado, mas sem considerar a correção monetária com base na inflação. 

À época, a pandemia da Covid-19 foi um dos principais fatores para essa alta, já que o mercado global entrou em uma onda pessimista. Além do mais, a instabilidade política brasileira também foi determinante para a valorização do dólar.

O que faz o dólar abaixar

Para entender o que faz o dólar abaixar, basta pensar em situações opostas às descritas acima, com uma quantidade de moeda disponível superior à demandada:

  • Estabilidade política e econômica no Brasil: o que atrai investimento estrangeiro;
  • Juros altos no Brasil: também fazendo com que investidores de fora do país tragam dinheiro para cá;
  • Superávit comercial: quando o Brasil exporta mais do que importa, aumentando a oferta de moeda; 
  • Turismo interno em alta: quando turistas estrangeiros gastam dinheiro no país, a quantidade de dólar disponível no Brasil também aumenta.

Em março de 2022, foi possível notar este movimento de queda do dólar. A moeda norte-americana atingiu o menor valor desde o início da pandemia, chegando a ser cotada a menos de R$ 4,70.

O principal motivo para a queda do dólar foi o aumento da taxa Selic, a taxa de juros básica da economia brasileira. Também no mês de março, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, elevou a Selic pela nona vez consecutiva, chegando a 11,75%.

Este cenário contribui para a atração de investidores estrangeiros ao mercado brasileiro, trazendo uma quantidade maior de dólar ao país.

Impactos da alta do dólar no seu bolso

Você pensa que a alta do dólar é importante apenas para quem deseja viajar para fora do país ou para quem tem investimentos por lá? Não é assim e a gente te explica os motivos.

Como falamos no início do texto, a moeda norte-americana é utilizada com referência no mundo inteiro e a cotação dela é determinante para a valorização ou desvalorização de produtos e serviços do seu cotidiano.

Alimentos mais caros

Os efeitos da alta do dólar sobre o valor dos alimentos ocorrem em mais de uma via. Você deve ter notado um aumento considerável no preço da carne nos últimos anos, certo? O dólar tem a ver com isso.

Com o dólar valorizado, a tendência é que os produtores de carne prefiram vender para fora do país. Com a exportação em alta, o mercado interno sofre com o desabastecimento, provocando um aumento nos preços. 

Além da carne, outros produtos básicos são negociados com base no dólar, como soja, milho, açúcar e café. Nos últimos 12 meses, a alta do preço do café foi de 66%, segundo a Associação Brasileira de Supermercados

Em outra mão, o aumento do dólar encarece a importação de diversos alimentos, como por exemplo a farinha. Via de regra, pães e demais massas são alguns dos alimentos mais afetados pela flutuação da moeda norte-americana.

Valores mais altos de produtos eletrônicos

Como você deve saber, o Brasil não é um grande produtor tecnológico e depende da importação de produtos eletrônicos como smartphones e computadores, por exemplo, além de peças.

Por conta disso, quando o dólar sobe, os preços desses produtos também aumentam por aqui.

Os combustíveis ficam mais caros

O petróleo é outra commodity negociada em dólar. Um levantamento da ValeCard, empresa especializada na gestão de frotas, divulgado neste mês, apontou que o preço da gasolina no país subiu 58,5% nos últimos dois anos.

PeríodoPreço médio por litroVariação
Março de 2020R$ 4,598– 
Março de 2021R$ 5,72625,31% ante 2020
Março de 2022R$ 7,28827,26% ante 2021 e 58,5% ante 2022

Desde 2016, a Petrobras adota a política de Preço de Paridade de Importação, fazendo o reajuste dos preços dos combustíveis no Brasil segundo a variação do preço do petróleo no mercado internacional.

Leia mais: Por que a gasolina está tão cara? Saiba quais são os motivos

É importante ressaltar que o principal fator para o aumento no preço da gasolina e demais combustíveis foi a valorização do barril de petróleo, que atingiu o maior valor dos últimos oito anos em março de 2022, em meio a guerra entre Rússia e Ucrânia.

Contudo, a variação da moeda norte-americana também é determinante para a definição do preço nos postos de combustíveis, visto que o petróleo é negociado em dólar.

Viajar para fora do país 

O encarecimento de viagens internacionais talvez seja a consequência mais óbvia da alta do dólar. 

A questão é que não apenas o turismo nos Estados Unidos se torna mais caro, mas para quase todos os países, já que as passagens internacionais são negociadas em dólar. 

Leia mais: Como enviar dinheiro para o exterior ou receber no PicPay?

O que acontece quando o valor do dólar diminui?

Se com o dólar em alta, produtos e serviços como alimentos, combustíveis e turismo também ficam mais caros, quando ele abaixa, a tendência é de que eles também diminuam de valor. 

Entretanto, nem sempre isso pode ser observado instantaneamente, principalmente pelo fato de que mesmo o dólar operando em baixa, algumas commodities podem continuar em alta, como é o caso da gasolina, por exemplo.

Variação do dólar desde o início da pandemia

PeríodoCotação em Real
Quarto trimestre de 2019R$ 4,0301
Primeiro trimestre de 2020R$ 5,1981
Segundo trimestre de 2020R$ 5,4754
Terceiro trimestre de 2020R$ 5,6401
Quarto trimestre de 2020R$ 5,1961
Primeiro trimestre de 2021R$ 5,6967
Segundo trimestre de 2021R$ 5,0016
Terceiro trimestre de 2021R$ 5,4388
Quarto trimestre de 2021R$ 5,5799
Janeiro de 2022R$ 5,3568
Fevereiro de 2022R$ 5,1388
Março de 2022R$ 4,7273
Abril de 2022R$ 4,9185

Relação do dólar com inflação e Selic

Já deve ter ficado claro que o valor da moeda americana impacta diretamente na economia brasileira.

Com isso, o aumento da moeda norte-americana pode causar a chamada inflação do dólar. Isso porque vários produtos monitorados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação no Brasil, sofrem influência da flutuação cambial.

Ou seja, se o dólar sobe, a inflação é impactada e também tende a aumentar.

Leia mais: O que é inflação? Veja dicas para reduzir o impacto no bolso

Em outro sentido, o dólar também tem relação com a taxa Selic, utilizada para conter a inflação. Se o IPCA sobe, a Selic também tende a subir. O resultado disso? O dólar tende a diminuir, pelo menos por esse fator, como explicamos anteriormente.

E, afinal, como cuidar do seu dinheiro em um cenário como esse? No conteúdo sobre a taxa Selic, você confere algumas dicas que são úteis também para preservar as finanças de acordo com os movimentos do dólar.

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