O IPCA, Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, é um indicador fundamental no universo econômico brasileiro. 

Em resumo, ele descreve a variação dos preços de produtos e serviços consumidos pela população em geral, sendo utilizado como referência para medir a inflação no país.

Análise do IPCA de dezembro de 2025

Por Matheus Pizzani, economista do PicPay.

O IPCA de dezembro apresentou alta mensal de 0,33%, acelerando frente ao resultado do mês anterior, quando a variação foi de 0,18%. Com este resultado, a inflação fechou o ano em 4,26%, dentro do limite superior estabelecido pelo Regime de Metas para Inflação (RMI).

Em termos de composição, o indicador não trouxe grandes surpresas frente ao padrão sazonal histórico do período, tendo como destaque a reversão sofrida pelo grupo de Alimentação no Domicílio (de -0,01% para 0,27%), que teve seu resultado impulsionado por preços que apresentam maior demanda no período, casos de carnes (+1,48%) e frutas (+1,26%). Outra reversão importante veio do grupo de Bens industriais, cujo resultado saiu de uma deflação de 0,29% para alta de 0,48% no último mês de 2025, virada provocada pelo fim do efeito de baixa provocado pelos descontos da Black Friday.

O grupo de Serviços manteve patamar de reajuste elevado (de 0,60% para 0,72%), reflexo da maior pressão sazonal provocada pela alta na demanda por itens como passagens aéreas (+12,61%) e transporte por aplicativo (+13,79%). Serviços com maior capacidade de inércia inflacionária, como aluguel residencial (+0,34%) e mão de obra (0,66%), mantiveram suas taxas de variação relativamente estáveis, sugerindo impactos mais moderados por parte do grupo na inflação futura.

Prospectivamente, seguimos com uma projeção de 4,20% para o IPCA em 2026. Após um período de comportamento mais ameno na segunda metade de 2025, o IPCA deve voltar acelerar no primeiro trimestre do ano em função de fatores sazonais relacionados ao consumo de serviços e o impacto dos reajustes de diversos preços administrados, com destaque para a majoração do ICMS sobre combustíveis e o botijão de gás e reajustes das tarifas de transporte público, já aplicadas em capitais com participação relativa elevada no indicador, como São Paulo.

Passado este período, a expectativa é que o IPCA volte a apresentar comportamento mais ameno, tendência alinhada ao cenário de arrefecimento da atividade, afrouxamento do mercado de trabalho e fechamento do hiato do produto.

O que é IPCA?

O IPCA é uma ferramenta essencial para entender a saúde da economia do país. Ele influencia diretamente a política monetária do Banco Central, pois é utilizado como referência para estabelecer metas de inflação. 

O controle da inflação é vital para garantir a estabilidade econômica, afetando juros, investimentos e o poder de compra da população.

Além disso, o IPCA serve para diversas finalidades, como, por exemplo:

Política Monetária: O Banco Central utiliza o IPCA como um dos principais indicadores para definir metas de inflação e tomar decisões sobre a taxa básica de juros (Selic)

Reajustes contratuais: Muitos contratos, como aluguéis, empréstimos e alguns salários, são corrigidos com base no IPCA. Ele serve como referência para ajustar valores de acordo com a variação dos preços, mantendo o equilíbrio nos contratos ao longo do tempo.

Investimentos e planejamento financeiro: Investidores e empresas utilizam as informações do IPCA para avaliar retornos de investimentos e planejar estratégias financeiras, levando em consideração a inflação para preservar o valor do capital.

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Ou seja, o IPCA desempenha um papel crucial na economia brasileira, oferecendo insights valiosos sobre a inflação e seu impacto na vida das pessoas e nas decisões econômicas do país.

Como é calculado o IPCA?

O cálculo do IPCA é realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que coleta dados de preços de uma ampla gama de itens consumidos pelas famílias brasileiras. 

Esse levantamento ocorre em várias regiões metropolitanas do país e considera produtos e serviços em diversas categorias, como alimentação, habitação, transporte, saúde, educação, entre outros.

A fórmula para o cálculo do IPCA envolve uma média ponderada dos preços desses itens, dando maior peso àqueles que têm maior impacto no orçamento das famílias. 

Esse índice é atualizado mensalmente e divulgado pelo IBGE, permitindo análises sobre a evolução dos preços ao longo do tempo.

Atualmente, a pesquisa abrange as famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos, residentes em 11 áreas urbanas dos seguintes locais:

Regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, além do Distrito Federal e do município de Goiânia.

IPCA acumulado 2025

Atualmente, o IPCA acumulado em 12 meses está em 4,26%. Confira abaixo o valor de cada mês.

MêsIPCA
Dezembro de 20250,33%
Novembro de 20250,18%
Outubro de 20250,09%
Setembro de 20250,48%
Agosto de 2025-0,11%
Julho de 20250,26%
Junho de 20250,24%
Maio de 20250,26%
Abril de 20250,43%
Março de 20250,56%
Fevereiro de 20251,31%
Janeiro de 20250,16%
Dezembro de 20240,52%

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