O IPCA, Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, é um indicador fundamental no universo econômico brasileiro. 

Em resumo, ele descreve a variação dos preços de produtos e serviços consumidos pela população em geral, sendo utilizado como referência para medir a inflação no país.

Análise do IPCA de fevereiro de 2026

Por Matheus Pizzani, economista do PicPay.

O IPCA de fevereiro registrou alta de 0,7% em sua base de comparação mensal, acumulando alta de 3,8% em 12 meses. Conforme já era esperado, o principal impacto inflacionário do período veio do grupo de educação, cuja alta de 5,21% respondeu por 0,31 p.p. do total do resultado, tendo sido puxado pelo crescimento de 6,20% dos cursos regulares, sendo este um reflexo da absorção por parte do indicador dos reajustes aplicados em mensalidades escolares de diferentes tipos. Afora este movimento, a leitura inicial marcada pelo aumento do índice de difusão, majoritariamente concentrado no grupo de serviços, bem como o avanço das principais métricas de núcleo da inflação, inclusive aquelas acompanhadas pelo Banco Central, sugerem uma composição negativa por parte do indicador no período, o que, somado ao efeito da incerteza conjuntural corrente em função do ambiente externo, pode acabar gerando dúvidas acerca do comportamento do Copom em suas próximas decisões de política monetária.

A validade desta hipótese, no entanto, demanda cautela. Os impactos inflacionários observados em fevereiro podem ser divididos em pelo menos duas categorias distintas, sendo elas: choques/elevações de caráter temporário, cuja capacidade de se tornarem perenes é relativamente baixa, o que, consequentemente, deve gerar pouco ou nenhum efeito sobre a política monetária, e movimentos mais abruptos e que devem deixar mais desconfortável o comitê de política monetária do Banco Central.

O primeiro caso concentra a maior parte dos eventos adversos observados no mês, com destaque para o já mencionado efeito das mensalidades escolares, assim como a incorporação do impacto de choques temporários como a inflação mais elevada de passagem aérea (+11,4%), e dos reajustes de tarifas de transporte público, com destaque para o ônibus urbano (+1,14%), cuja alta foi motivada pela implementação de reajustes em diversas capitais pelo país, com piso de 4,16% observado em vitória e máxima de 20% em Fortaleza.

Pelo lado negativo, destaque para a elevação da inflação de serviços, que saiu de 0,10% para 1,51%, com impactos que não se resumiram aos preços de educação e passagens aéreas, contando ainda com o efeito de itens como seguro voluntário de veículos (+5,62%), conserto de automóvel, (+1,22%) e serviços médicos (+0,87). Além de justificarem o aumento do índice de difusão do IPCA no mês e a maior parte da alta das principais métricas de núcleo, o comportamento destes itens evidencia que fevereiro não foi um mês necessariamente positivo para a inflação de serviços, que sofreu com maior pressão inflacionária tanto em seus componentes ligados ao nível de atividade corrente da economia quanto naqueles que possuem maior capacidade de inércia inflacionária.

Considerar que este movimento de alta pontual significa uma reversão no movimento de desaceleração da inflação observado nos meses anteriores, no entanto, é relativamente precipitado. De fato foi possível ver uma elevação mais disseminada da inflação de serviços, embora seja necessário considerar que o transbordamento do fator sazonal para os demais componentes do grupo, em especial aqueles que são mais sensíveis ao nível de ociosidade da economia, também possui participação no resultado. Vale considerar ainda que a maior demanda no período foi potencializada ainda por fatores relacionados à expansão da renda das famílias, como o reajuste do salário mínimo e o início da validade da isenção do imposto de renda para parcela da população, cenário que não tem sua sustentação garantida em função do nível elevado de endividamento das famílias e do menor fôlego para consumo no ano corrente.

Além disso, importante destacar também que demais componentes sensíveis à política monetária, como os bens industriais (+0,33), se comportaram de maneira positiva no período, permanecendo alinhados com o que já era possível prever a partir dos dados setoriais divulgados anteriormente. Em se mantendo a mesma lógica para os serviços, a expectativa é de uma maior normalização desta categoria ao longo dos próximos meses na medida em que a desaceleração da atividade se fizer sentir de maneira mais nítida. Os riscos neste cenário parecem atrelados à parcela dos serviços cuja variação é motivada por fatores inerciais.

Embora tenham se comportado relativamente bem em fevereiro, como foi o caso do aluguel residencial (0,30%), eventuais repasses em função do nível aquecido do mercado de trabalho ou até mesmo de uma piora nas expectativas dos agentes para a inflação futura podem comprometer a eventual trajetória mais suave de desenvolvimento da inflação nos próximos meses e colocar de fato os planos do Copom em risco.

O que é IPCA?

O IPCA é uma ferramenta essencial para entender a saúde da economia do país. Ele influencia diretamente a política monetária do Banco Central, pois é utilizado como referência para estabelecer metas de inflação. 

O controle da inflação é vital para garantir a estabilidade econômica, afetando juros, investimentos e o poder de compra da população.

Além disso, o IPCA serve para diversas finalidades, como, por exemplo:

Política Monetária: O Banco Central utiliza o IPCA como um dos principais indicadores para definir metas de inflação e tomar decisões sobre a taxa básica de juros (Selic)

Reajustes contratuais: Muitos contratos, como aluguéis, empréstimos e alguns salários, são corrigidos com base no IPCA. Ele serve como referência para ajustar valores de acordo com a variação dos preços, mantendo o equilíbrio nos contratos ao longo do tempo.

Investimentos e planejamento financeiro: Investidores e empresas utilizam as informações do IPCA para avaliar retornos de investimentos e planejar estratégias financeiras, levando em consideração a inflação para preservar o valor do capital.

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Apresentado de forma simples e objetiva, os episódios lançados de segunda a sexta-feira — sempre às 6h — trazem informações essenciais para começar o dia bem informado, em apenas cinco minutos.

Ou seja, o IPCA desempenha um papel crucial na economia brasileira, oferecendo insights valiosos sobre a inflação e seu impacto na vida das pessoas e nas decisões econômicas do país.

Como é calculado o IPCA?

O cálculo do IPCA é realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que coleta dados de preços de uma ampla gama de itens consumidos pelas famílias brasileiras. 

Esse levantamento ocorre em várias regiões metropolitanas do país e considera produtos e serviços em diversas categorias, como alimentação, habitação, transporte, saúde, educação, entre outros.

A fórmula para o cálculo do IPCA envolve uma média ponderada dos preços desses itens, dando maior peso àqueles que têm maior impacto no orçamento das famílias. 

Esse índice é atualizado mensalmente e divulgado pelo IBGE, permitindo análises sobre a evolução dos preços ao longo do tempo.

Atualmente, a pesquisa abrange as famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos, residentes em 11 áreas urbanas dos seguintes locais:

Regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, além do Distrito Federal e do município de Goiânia.

IPCA acumulado 2025

Atualmente, o IPCA acumulado em 12 meses está em 3,81%. Confira abaixo o valor de cada mês.

MêsIPCA
Fevereiro de 20260,70%
Janeiro de 20260,33%
Dezembro de 20250,33%
Novembro de 20250,18%
Outubro de 20250,09%
Setembro de 20250,48%
Agosto de 2025-0,11%
Julho de 20250,26%
Junho de 20250,24%
Maio de 20250,26%
Abril de 20250,43%
Março de 20250,56%
Fevereiro de 20251,31%

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