O IPCA, Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, é um indicador fundamental no universo econômico brasileiro. 

Em resumo, ele descreve a variação dos preços de produtos e serviços consumidos pela população em geral, sendo utilizado como referência para medir a inflação no país.

Análise do IPCA de janeiro de 2026

Por Matheus Pizzani, economista do PicPay.

O IPCA de janeiro registrou alta de 0,33% em sua base de variação mensal, repetindo a taxa de variação observada em dezembro e acumulando alta de 4,44% nos últimos 12 meses. Do ponto de vista das categorias de preço com maior impacto sobre a política monetária, destaque para a inflação de serviços, que arrefeceu de 0,72% para 0,10% entre dezembro e janeiro, resultado em grande parte possível graças às quedas de passagens aéreas (-8,9%) e transportes por aplicativo (-17,2%).

Métricas mais estruturais, no entanto, como os serviços subjacentes, apresentaram pouca mudança (0,57% em janeiro contra 0,56% em dezembro), resiliência explicada em grande medida pela maior rigidez apresentadas por serviços com comportamento, via de regra, inercial, como a mão de obra (0,66%) e o aluguel residencial (0,76%). Categorias mais sensíveis ao nível de ociosidade da economia, por outro lado, apresentaram comportamento mais ameno, casos de manicure (0,39% em janeiro contra 1,14% em dezembro) e costureira (0,27% em dezembro contra 1,46% em janeiro), movimentos positivos especialmente quando combinados com o comportamento menos apertado por parte do mercado de trabalho nas leituras mais recentes.

Os bens industriais, por outro lado, saíram de uma inflação de 0,48% para 0,61% no mesmo intervalo. O bom comportamento do câmbio e a inexistência de pressões visíveis ao longo das cadeias de custo levam a crer que o movimento reflete uma tentativa de recuperação de margem por parte das empresas que atuam no setor, algo que pode se repetir ao longo do ano e, no limite, ser catalisado caso haja uma rápida recuperação do nível de demanda, tornando o desempenho do grupo um ponto de atenção importante para as próximas leituras.

A composição relativamente heterogênea faz com que o IPCA de janeiro possa ser encarado como um de dado de transição entre uma conjuntura de crescimento acelerado para um cenário de acomodação e maior normalidade econômica. A composição do grupo de serviços, inclusive, deixa evidente a importância do hiato do produto para o debate atual sobre a trajetória futura da inflação.

A consolidação do cenário de desaceleração prevista para o decorrer do ano pode reduzir a resiliência apresentada pela inflação de componentes mais intensivos em mão de obra, descomprimindo, por consequência, a pressão sobre seus pares com maior sensibilidade inercial, criando uma composição significativamente mais benigna para o grupo de serviços como um todo e permitindo que o BC consiga construir um ciclo mais sólido de queda de juros.

A materialização deste cenário passa ainda pelo bom comportamento dos demais pilares macroeconômicos, em especial o câmbio, que pode ajudar a conter eventuais recrudescimentos da inflação dos grupos de alimentação e bens industriais.

O que é IPCA?

O IPCA é uma ferramenta essencial para entender a saúde da economia do país. Ele influencia diretamente a política monetária do Banco Central, pois é utilizado como referência para estabelecer metas de inflação. 

O controle da inflação é vital para garantir a estabilidade econômica, afetando juros, investimentos e o poder de compra da população.

Além disso, o IPCA serve para diversas finalidades, como, por exemplo:

Política Monetária: O Banco Central utiliza o IPCA como um dos principais indicadores para definir metas de inflação e tomar decisões sobre a taxa básica de juros (Selic)

Reajustes contratuais: Muitos contratos, como aluguéis, empréstimos e alguns salários, são corrigidos com base no IPCA. Ele serve como referência para ajustar valores de acordo com a variação dos preços, mantendo o equilíbrio nos contratos ao longo do tempo.

Investimentos e planejamento financeiro: Investidores e empresas utilizam as informações do IPCA para avaliar retornos de investimentos e planejar estratégias financeiras, levando em consideração a inflação para preservar o valor do capital.

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Ou seja, o IPCA desempenha um papel crucial na economia brasileira, oferecendo insights valiosos sobre a inflação e seu impacto na vida das pessoas e nas decisões econômicas do país.

Como é calculado o IPCA?

O cálculo do IPCA é realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que coleta dados de preços de uma ampla gama de itens consumidos pelas famílias brasileiras. 

Esse levantamento ocorre em várias regiões metropolitanas do país e considera produtos e serviços em diversas categorias, como alimentação, habitação, transporte, saúde, educação, entre outros.

A fórmula para o cálculo do IPCA envolve uma média ponderada dos preços desses itens, dando maior peso àqueles que têm maior impacto no orçamento das famílias. 

Esse índice é atualizado mensalmente e divulgado pelo IBGE, permitindo análises sobre a evolução dos preços ao longo do tempo.

Atualmente, a pesquisa abrange as famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos, residentes em 11 áreas urbanas dos seguintes locais:

Regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, além do Distrito Federal e do município de Goiânia.

IPCA acumulado 2025

Atualmente, o IPCA acumulado em 12 meses está em 4,44%. Confira abaixo o valor de cada mês.

MêsIPCA
Janeiro de 20260,33%
Dezembro de 20250,33%
Novembro de 20250,18%
Outubro de 20250,09%
Setembro de 20250,48%
Agosto de 2025-0,11%
Julho de 20250,26%
Junho de 20250,24%
Maio de 20250,26%
Abril de 20250,43%
Março de 20250,56%
Fevereiro de 20251,31%
Janeiro de 20250,16%

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