O universo financeiro está repleto de siglas e índices que podem ser confusos para quem está começando a se aventurar nesse mundo. Um desses termos é o IPCA-15, também conhecido como Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15.
Mas afinal, o que é o IPCA-15 e qual o seu impacto no cenário econômico? Confira o guia completo e veja a análise do time de economistas do PicPay.
Análise do IPCA-15 de janeiro de 2026
Por Matheus Pizzani, economista do PicPay.
O IPCA-15 registrou alta de 0,20% MoM em janeiro, resultado abaixo do dado do mês anterior, quando a variação foi positiva em 0,20%. No acumulado em 12 meses, o indicador fechou com alta de 4,5%, no teto da banda superior estipulada pelo Regime de Metas para Inflação (RMI). O resultado cheio relativamente mais ameno não deve ser confundido com uma composição essencialmente benigna do indicador de inflação, que contou com resultados difusos de seus principais grupos para alcançar o resultado em questão.
Neste sentido, destaque para a alta de 0,31% do grupo de alimentação e bebidas, que manteve a trajetória de aceleração já observada desde os últimos meses do ano anterior, movimento já esperado em função da combinação entre o aumento da demanda e fatores ligados à produtividade agropecuária do período. A composição do resultado contou com alta tanto de componentes cuja volatilidade em termos de preço se dá em curtos espaços de tempo, como tubérculos, raízes e legumes (+10,17%), quanto por alimentos cuja oferta possui característica cíclica, caso da carne (+1,32%). Para fins de projeção para o mês de janeiro, esta composição leva a crer que o grupo como um todo tende a apresentar algum arrefecimento, embora um cenário de deflação, como visto em boa parte do segundo semestre de 2025, está praticamente descartado em função da alta dos elementos cíclicos.
Pelo lado das baixas, destaque para as deflações nos grupos de Habitação e Transportes de, respectivamente, 0,26% e 0,13%, motivadas essencialmente por vários componentes do grupo de preços administrados. No primeiro caso, o principal impacto positivo veio da queda do preço da energia elétrica residencial, reflexo da substituição da bandeira amarela, vigente durante o mês de dezembro, para a bandeira verde. No segundo caso, a redução se deu por conta da combinação entre o arrefecimento do preço de passagens aéreas (-8,92%) e ônibus urbano (-2,90%), cuja série de gratuidades aplicadas em diversas capitais foi suficiente para reverter o movimento de alta gerado pelos reajustes aplicados em cidades como São Paulo, Fortaleza e Rio de Janeiro.
Em linhas gerais, a descrição apresentada acima deixa claro que o bom comportamento do IPCA-15 ocorreu principalmente em função dos choques positivos advindos de uma série de preços administrados, assim como as passagens aéreas, item que possui volatilidade excessiva e não deve ser levado em consideração para fins de análise do indicador sob o prisma da política monetária.
Para esta finalidade, atenção deve ser direcionada para a estabilidade apresentada pela subcategoria de serviços subjacentes, que contempla uma amostra significativa dos chamados “serviços intensivos em trabalho”, métrica acompanhada com proximidade pelo BC, e que variou marginalmente para cima entre dezembro e janeiro (saindo de 0,52% para 0,53%), indicando manutenção do quadro de resiliência dos preços de serviços. Outro ponto importante diz respeito à alta do preço do aluguel residencial, que variou 0,75% no mês e forneceu um dos principais impactos inflacionários positivos do indicador (+0,03 p.p.).
Embora o efeito sazonal deva ser considerado neste caso, é razoável recobrar também que trata-se de um componente com caráter inercial em termos de viés inflacionário, o que, em um ambiente de pressão remanescente dos elementos movidos à ociosidade, reforça o viés mais negativo por parte do indicador.
Em suma, a característica do indicador e seu prognóstico, por enquanto, fecham a porta para possíveis guinadas nas projeções para o comportamento do Copom no curtíssimo prazo, entendido aqui como a reunião de janeiro.
Mantemos a perspectiva de início dos cortes em março e Selic terminal de 12% ao final de 2026.
O que é o IPCA-15?
O IPCA-15 é uma prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que por sua vez é o índice oficial utilizado pelo governo para medir a inflação no país.
Ele é calculado mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e abrange uma parcela significativa da população brasileira.
O indicador é relevante por fornecer uma prévia dos possíveis rumos da inflação, permitindo que empresas, investidores e o próprio governo tomem medidas preventivas ou estratégicas em relação à economia.
Seu impacto é significativo nos mercados financeiros, influenciando decisões de investimento, políticas monetárias e até mesmo o poder de compra do consumidor.
O IPCA-15 é mais do que um simples índice de inflação preliminar; é uma ferramenta valiosa para compreender e antecipar movimentos na economia brasileira.
Aqueles que acompanham de perto esses indicadores estão mais preparados para tomar decisões financeiras fundamentadas e enfrentar os desafios do cenário econômico.
Quer uma dica? Se você gosta de ficar por dentro de todos os acontecimentos que impactam os mercados no Brasil e no mundo, conheça o podcast Diário Econômico PicPay.
Apresentado de forma simples e objetiva, os episódios lançados de segunda a sexta-feira — sempre às 6h — trazem informações essenciais para começar o dia bem informado, em apenas cinco minutos.
Como é calculado o IPCA-15?
Sua metodologia de cálculo é semelhante à do IPCA, porém o período de coleta de dados é diferente.
Enquanto o IPCA é medido do primeiro ao último dia do mês, o IPCA-15 é calculado entre meados do mês anterior e meados do mês vigente. Isso o torna uma espécie de termômetro preliminar da inflação.
Atualmente, a pesquisa abrange as famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos, residentes em 11 áreas urbanas dos seguintes locais:
Regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, além do Distrito Federal e do município de Goiânia.
IPCA-15 nos últimos 12 meses
| Mês | IPCA-15 |
| Janeiro de 2026 | 0,20% |
| Dezembro de 2025 | 025% |
| Novembro de 2025 | 0,20% |
| Outubro de 2025 | 0,18% |
| Setembro de 2025 | 0,48% |
| Agosto de 2025 | 0,14% |
| Julho de 2025 | 0,33% |
| Junho de 2025 | 0,26% |
| Maio de 2025 | 0,36% |
| Abril de 2025 | 0,43% |
| Março de 2025 | 0,64% |
| Fevereiro de 2025 | 1,23% |
| Janeiro de 2025 | 0,11% |
Gostou do conteúdo e quer ficar antenado nos dados de outros indicadores? Confira a nossa editoria de análises econômicas.