O universo financeiro está repleto de siglas e índices que podem ser confusos para quem está começando a se aventurar nesse mundo. Um desses termos é o IPCA-15, também conhecido como Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15. 

Mas afinal, o que é o IPCA-15 e qual o seu impacto no cenário econômico? Confira o guia completo e veja a análise do time de economistas do PicPay.

Análise do IPCA-15 de fevereiro de 2026

Por Matheus Pizzani, economista do PicPay.

O IPCA-15 de fevereiro registrou alta de 0,84%, avançando significativamente frente ao dado de janeiro (+0,20%) e acumulando alta de 1,04% no ano. Em 12 meses, a inflação mensurada pelo IPCA ficou em 4,10%. O resultado relativamente elevado já era esperado para o período, cuja composição contou com forte impacto do grupo de Educação (5,20%), que respondeu por 0,32 p.p. do resultado cheio do período. A forte alta observada se dá em decorrência da incorporação dos reajustes de mensalidades escolares, que em função do formato de coleta de preços do IPCA, são tradicionalmente sentidos no IPCA de fevereiro. Em termos práticos, esta classe de serviços respondeu por 0,27 p.p. do total do resultado, com a alta disseminada entre os itens de Ensino Fundamental (0,14 p.p), Ensino Superior (0,07 p.p), Ensino Médio e Pré-escola (0,03 em ambos os casos).

Além dos preços de educação, outro impacto inflacionário relevante observado no período veio do grupo de transportes, que saiu de uma deflação de 0,13% para um alta de 1,72% no período, desempenho composto pela crescimento de 11,64% dos preços de passagens aéreas, que além de corrigir a deflação observada no mês anterior, sofreu impacto do fator sazonal relacionado à ocorrência do carnaval e o aumento da demanda característico do período, bem como a maior pressão do subgrupo de ônibus urbano (+7,52%), ainda afetado pelos reajustes de tarifas de transporte implementados em diversas capitais no início do ano.

Pelo lado positivo, destaque para o arrefecimento da inflação de alimentação e bebidas, que saiu de 0,31% para 0,20%, bem como os artigos de residência, cuja inflação arrefeceu de 0,43% para 0,21. O preços de vestuário, por sua vez, apresentaram deflação de 0,42%, consolidando o quadro positivo de itens com maior peso relativo para a análise da inflação sob a ótica da política monetária. Mesmo no interior do grupo de serviços foi possível extrair notícias positivas, com destaque para categorias vistas pelo próprio Banco Central como mais sensíveis ao nível da atividade econômica corrente e que apresentaram desaceleração em seus resultados acumulados em 12 meses, tais como manicure (de 9,3% para 9%), Depilação (de 6,5% para 5,5%) e Sobrancelha (de 6,4% para 5,8%).

O dado elevado não significa necessariamente uma inflexão na trajetória positiva do IPCA até aqui, sendo, na verdade, reflexo de um evento sazonal já esperado, referente aos preços de educação, combinados com uma maior pressão inflacionária dos preços administrados, que além de não serem objeto de interesse para fins de política monetária, possuem presença na divulgação de hoje parcialmente atribuída ao modelo de coleta do IPCA-15. Necessário ainda adicionar a volatilidade indesejada que costumeiramente é adicionada pelo componente de passagens aéreas.

Desconsiderando estes efeitos e recobrando o fato de que a sazonalidade ainda joga contra a inflação de serviços durante este início de ano, além de considerar que deve haver reversão de parte das altas observadas no IPCA-15 em seu resultado cheio de fevereiro, a perspectiva para trajetória futura do IPCA não muda significativamente. Além de seguir se beneficiando do movimento de apreciação cambial recente, que tende a se aprofundar nos próximos meses, o desaquecimento previsto para o nível de atividade econômica deve ajudar a conter o avanço dos preços de categorias mais rígidas dentro do core do grupo de serviços.

O que é o IPCA-15?

O IPCA-15 é uma prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que por sua vez é o índice oficial utilizado pelo governo para medir a inflação no país. 

Ele é calculado mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e abrange uma parcela significativa da população brasileira.

O indicador é relevante por fornecer uma prévia dos possíveis rumos da inflação, permitindo que empresas, investidores e o próprio governo tomem medidas preventivas ou estratégicas em relação à economia. 

Seu impacto é significativo nos mercados financeiros, influenciando decisões de investimento, políticas monetárias e até mesmo o poder de compra do consumidor.

O IPCA-15 é mais do que um simples índice de inflação preliminar; é uma ferramenta valiosa para compreender e antecipar movimentos na economia brasileira. 

Aqueles que acompanham de perto esses indicadores estão mais preparados para tomar decisões financeiras fundamentadas e enfrentar os desafios do cenário econômico.

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Como é calculado o IPCA-15?

Sua metodologia de cálculo é semelhante à do IPCA, porém o período de coleta de dados é diferente. 

Enquanto o IPCA é medido do primeiro ao último dia do mês, o IPCA-15 é calculado entre meados do mês anterior e meados do mês vigente. Isso o torna uma espécie de termômetro preliminar da inflação.

Atualmente, a pesquisa abrange as famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos, residentes em 11 áreas urbanas dos seguintes locais:

Regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, além do Distrito Federal e do município de Goiânia.

IPCA-15 nos últimos 12 meses

MêsIPCA-15
Fevereiro de 20260,84%
Janeiro de 20260,20%
Dezembro de 2025025%
Novembro de 20250,20%
Outubro de 20250,18%
Setembro de 20250,48%
Agosto de 20250,14%
Julho de 20250,33%
Junho de 20250,26%
Maio de 20250,36%
Abril de 20250,43%
Março de 20250,64%
Fevereiro de 20251,23%

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