O universo financeiro está repleto de siglas e índices que podem ser confusos para quem está começando a se aventurar nesse mundo. Um desses termos é o IPCA-15, também conhecido como Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15.
Mas afinal, o que é o IPCA-15 e qual o seu impacto no cenário econômico? Confira o guia completo e veja a análise do time de economistas do PicPay.
Análise do IPCA-15 de agosto de 2025
Por Igor Cadilhac, economista do PicPay.
O IPCA-15 de agosto recuou 0,14%, enquanto o mercado projetava uma queda de 0,20%. No acumulado em 12 meses, a inflação apresentou desaceleração, passando de 5,30% para 4,95%. Do ponto de vista qualitativo, o resultado foi pior que o esperado, com as principais métricas dos núcleos de inflação vindo mais pressionadas. A média dos núcleos cresceu 0,31%, com os serviços e industriais subjacentes avançando 0,55% e 0,39%, respectivamente, o que impulsionou o EX-3 a uma alta de 0,49%.
Dos nove grupos analisados, quatro apresentaram variações negativas em agosto. Os principais impactos vieram dos grupos Habitação (-1,13%), Alimentação e Bebidas (-0,53%) e Transportes (-0,47%), os de maior peso no índice. O grupo Comunicação também registrou queda (-0,17%). Em Habitação, destacou-se a queda de 4,93% na energia elétrica residencial, impulsionada pela incorporação do Bônus de Itaipu. No grupo Alimentação, a retração foi puxada pela alimentação no domicílio (-1,02%), com destaque para as quedas nos preços da manga (-20,99%), batata-inglesa (-18,77%), cebola (-13,83%), tomate (-7,71%), arroz (-3,12%) e carnes (-0,94%). Em Transportes, as reduções foram influenciadas pelas passagens aéreas (-2,59%) e pelos combustíveis (-1,18%).
Por outro lado, os grupos Despesas Pessoais (1,09%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,64%) e Educação (0,78%) registraram as maiores altas no mês. Os principais destaques foram os reajustes nos jogos de azar (11,45%), produtos de higiene pessoal (1,07%) e cursos regulares (0,80%). Já os grupos Vestuário (0,17%) e Artigos de Residência apresentaram variações mais próximas da estabilidade.
Olhando à frente, revisamos nossa projeção de inflação para 2025 de 5,1% para 4,9%. Esse movimento reflete, principalmente, dois fatores: (i) persistência dos efeitos deflacionários, especialmente via câmbio; e (ii) melhora nas expectativas de inflação. Apesar da revisão, o qualitativo e o balanço de riscos permanecem significativamente pressionados. Além disso, seguimos atentos às pressões altistas, associadas à desancoragem das expectativas, à manutenção de um hiato do produto positivo e à eventual depreciação do real em um cenário de maior percepção de risco fiscal e/ou geopolítico.
O que é o IPCA-15?
O IPCA-15 é uma prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que por sua vez é o índice oficial utilizado pelo governo para medir a inflação no país.
Ele é calculado mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e abrange uma parcela significativa da população brasileira.
O indicador é relevante por fornecer uma prévia dos possíveis rumos da inflação, permitindo que empresas, investidores e o próprio governo tomem medidas preventivas ou estratégicas em relação à economia.
Seu impacto é significativo nos mercados financeiros, influenciando decisões de investimento, políticas monetárias e até mesmo o poder de compra do consumidor.
O IPCA-15 é mais do que um simples índice de inflação preliminar; é uma ferramenta valiosa para compreender e antecipar movimentos na economia brasileira.
Aqueles que acompanham de perto esses indicadores estão mais preparados para tomar decisões financeiras fundamentadas e enfrentar os desafios do cenário econômico.
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Como é calculado o IPCA-15?
Sua metodologia de cálculo é semelhante à do IPCA, porém o período de coleta de dados é diferente.
Enquanto o IPCA é medido do primeiro ao último dia do mês, o IPCA-15 é calculado entre meados do mês anterior e meados do mês vigente. Isso o torna uma espécie de termômetro preliminar da inflação.
Atualmente, a pesquisa abrange as famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos, residentes em 11 áreas urbanas dos seguintes locais:
Regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, além do Distrito Federal e do município de Goiânia.
IPCA-15 nos últimos 12 meses
Mês | IPCA-15 |
Agosto de 2025 | 0,14% |
Julho de 2025 | 0,33% |
Junho de 2025 | 0,26% |
Maio de 2025 | 0,36% |
Abril de 2025 | 0,43% |
Março de 2025 | 0,64% |
Fevereiro de 2025 | 1,23% |
Janeiro de 2025 | 0,11% |
Dezembro de 2024 | 0,34% |
Novembro de 2024 | 0,62% |
Outubro de 2024 | 0,54% |
Setembro de 2024 | 0,13% |
Agosto de 2024 | 0,19% |
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