A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) é um dos pilares fundamentais para compreender o panorama econômico do país. 

Ela fornece insights valiosos sobre as atividades comerciais, ajudando a entender as tendências de consumo, o desempenho do varejo e atacado, e suas interações com a economia nacional.

Quer saber mais sobre o tema? Confira o conteúdo completo e veja a análise dos dados do comércio no Brasil, referentes a fevereiro de 2026.

Análise da Pesquisa Mensal de Comércio de fevereiro de 2026

Por Matheus Pizzani, economista do PicPay.

As vendas no varejo apresentaram alta de 0,6% em fevereiro, acelerando levemente na comparação com o mês anterior, quando a taxa de variação foi de 0,4%. Frente o mesmo período do ano anterior, a alta foi de apenas 0,2%, enquanto o crescimento acumulado em 12 meses ficou em 1,4%. Fatores relativos à conjuntura específica do período ajudam a entender o crescimento observado, com destaque para o comportamento da inflação, que até aquele momento ainda não havia sido afetada pelos desdobramentos do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã e foi responsável por impulsionar o consumo de itens como combustíveis e lubrificantes (+1,7%) e produtos alimentícios, com o grupo de hiper e supermercados registrando alta de 1,1%.

Por outro lado, os grupos de vestuário e calçados e móveis e eletrodomésticos registraram quedas de, respectivamente, 0,3% e 0,1%. No primeiro caso, a retração pode ser atribuída ao início da perda da sazonalidade positiva ligada ao consumo dos itens em questão, que deve retomar nos próximos meses com os novos modelos introduzidos no momento de troca de estação, enquanto no segundo caso, a demanda por móveis e eletrodomésticos segue a trajetória descendente já esperada em função do nível de juros elevado e do alto endividamento das famílias.

Embora a conjuntura relacionada ao consumo das famílias siga marcada pelos vetores negativos citados no fim do parágrafo anterior, foi possível verificar em alguma medida o impacto de medidas adotadas no âmbito fiscal durante o ano passado e que começaram a reverberar nos indicadores mais recentes, com destaque para a isenção do pagamento de imposto de renda para fração dos trabalhadores do mercado formal. Embora não tenha a mesma potência imaginada quando do desenho da política, seu efeito líquido parece ter sido responsável por alavancar o resultado de setores específicos, como o artigos farmacêuticos e perfumaria (+0,3%) e livros, jornais e papelaria (+2,4%), este último tendo se recuperado de duas quedas consecutivas e fazendo valer ainda o efeito sazonal relacionado à retomada do ano letivo das escolas para melhorar seu desempenho.

Embora em magnitude inferior à imaginada inicialmente, os resultados práticos da medida de isenção do IR parece alinhada ao diagnóstico inicialmente feito a seu respeito: permitir um transbordamento do consumo das famílias para uma cesta de consumo que não se limite a itens essenciais, como os alimentos, e combustíveis, cuja oscilação costuma comprometer parcela significativa do orçamento das famílias em momentos de maior aperto inflacionário. Estes efeitos, todavia, tendem a ser menos sentidos nas próximas medições, com a perspectiva de juros ainda elevados, ausência de fatores sazonais benignos e menor nível confiança dos consumidores reduzindo temporariamente o ímpeto de crescimento do varejo.

Projetamos crescimento de 0,8% para o PIB do primeiro trimestre do ano, com viés de alta em função das surpresas positivas entregues pelos indicadores de fevereiro. Apesar do tracking positivo, a expectativa é de um choque temporário nos indicadores de atividade em março, com destaque para a indústria de transformação e segmentos específicos dos serviços. Em contrapartida, setores como a indústria extrativa e serviços de transporte ligados ao comércio internacional podem registrar crescimento acima do esperado em função dos transbordamentos do conflito no Oriente Médio para a atividade local.

O que é a Pesquisa Mensal de Comércio?

A PMC é um levantamento estatístico realizado mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Seu principal objetivo é analisar o desempenho do setor varejista e atacadista no país, oferecendo dados atualizados e completos sobre as atividades comerciais no país.

Para capturar informações abrangentes, o IBGE utiliza uma metodologia robusta na coleta de dados para a PMC. 

A pesquisa é conduzida em estabelecimentos comerciais de diferentes regiões do Brasil, abrangendo tanto o comércio varejista quanto o atacadista.

Os dados são obtidos por meio de questionários respondidos pelos próprios estabelecimentos, onde são solicitadas informações detalhadas sobre as vendas realizadas durante o período estabelecido. 

Esses dados são coletados e compilados pelo IBGE para análise. A PMC apresenta diversos indicadores-chave que refletem o desempenho do comércio. Alguns dos mais importantes são:

Volume de Vendas: Mostra a quantidade de bens e serviços vendidos durante o período analisado.

Receita Nominal: Reflete o faturamento total das vendas, sem considerar a inflação.

Variação Percentual: Compara o desempenho atual com períodos anteriores, indicando se houve crescimento ou queda nas vendas.

Para que serve a Pesquisa Mensal de Comércio?

A Pesquisa Mensal de Comércio é uma ferramenta essencial para compreender a dinâmica do comércio no Brasil. 

Seus dados são utilizados por empresas, investidores e órgãos governamentais para embasar decisões estratégicas, entender o mercado e antecipar tendências.

Então, em resumo, a Pesquisa Mensal de Comércio desempenha um papel crucial em diversos aspectos, como:

Indicador econômico: Os dados coletados permitem a criação de indicadores que ajudam na compreensão do desempenho do comércio. Isso auxilia na elaboração de estratégias econômicas e na tomada de decisões por parte de empresas, investidores e governo.

Avaliação de tendências: Ao analisar as variações mensais, é possível identificar tendências de consumo. Essas informações são vitais para ajustar estratégias de vendas, lançar produtos ou serviços e adaptar-se às demandas do mercado.

Política monetária e fiscal: Os dados da PMC são considerados pelo Banco Central na definição de políticas monetárias. As informações sobre o comportamento do comércio influenciam as decisões sobre taxas de juros e outras medidas financeiras.

Referência para investimentos: Investidores e empresas utilizam os dados da PMC para avaliar setores promissores, identificar oportunidades de investimento e estimar riscos associados a determinados segmentos do mercado.

Se esse é o seu caso, fica aqui uma dica: conheça o podcast Diário Econômico, que repercute os principais acontecimentos que afetam os mercados. 

Apresentado de forma simples e objetiva, os episódios lançados de segunda a sexta-feira — sempre às 6h — trazem informações essenciais para começar o dia bem informado, em apenas cinco minutos.

Quer ficar por dentro de outros assuntos que impactam a economia como um todo? Então confira a nossa editoria de análises no Blog do PicPay.

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