A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) é um dos pilares fundamentais para compreender o panorama econômico do país.
Ela fornece insights valiosos sobre as atividades comerciais, ajudando a entender as tendências de consumo, o desempenho do varejo e atacado, e suas interações com a economia nacional.
Quer saber mais sobre o tema? Confira o conteúdo completo e veja a análise dos dados do comércio no Brasil, referentes a abril de 2026.
Análise da Pesquisa Mensal de Comércio de abril de 2026
Por Matheus Pizzani, economista do PicPay.
O IBC-Br, indicador mensal de atividade econômica calculado pelo Banco Central, apresentou crescimento de 0,5% em abril, acumulando expansão de 1,3% no ano e de 1,6% no acumulado em 12 meses. Excluindo o setor agropecuário, que sofreu estagnação no período, o indicador registrou crescimento de 0,4%, com altas equilibradas entre seus principais grupos, tendo na indústria (+0,4%) a maior taxa de variação do período, enquanto o setor de serviços e a coleta de impostos, também contabilizada pelo BC para fins de construção do dado, cresceram 0,3%.
O desempenho se mostra alinhado ao que fora observado nas pesquisas mensais do período feitas pelo IBGE (PIM, PMC e PMS), cujos resultados apontaram para um crescimento baseado na melhora da demanda externa por commodities energéticas, com foco no petróleo, e da subsequente dinamização de segmentos específicos voltados para este tipo de produção, como a indústria extrativa e parte do setor de serviços. Segmentos mais expostos aos ciclos econômicos, como a indústria de bens duráveis e os segmentos do comércio voltados à intermediação destes mesmos itens, apresentaram desempenho amplamente alinhado ao atual ciclo da economia, especialmente em sua faceta relacionada à política monetária.
Vale ressaltar que para o cálculo do IBC-Br, o Bacen incorpora o segmento de comércio junto ao grupo de serviços, de maneira que o mau desempenho do primeiro explica em grande medida o motivo pelo qual o último apresentou uma taxa de variação inferior ao setor industrial, mesmo que em sua pesquisa individual (PMS) o setor tenha apresentado a melhor performance do mês.
Colocado em um plano mais amplo, o dado do IBC-Br divulgado hoje é mais um na esteira de esteira de resultados que apontam para um processo de desaceleração gradual da atividade econômica, que havia iniciado o ano apresentando resultados excepcionalmente fortes em seu primeiro bimestre. A composição e o detalhamento extraído das pesquisas setoriais reforçam este quadro, com o arrefecimento do nível de crescimento, embora lento, concentrando-se especialmente em componentes ligados à economia doméstica e com maior sensibilidade à taxa de juros e a capacidade de tomada de crédito dos agentes.
Por outro lado, segmentos diretamente ligados ao nível de renda disponível e, indiretamente, ao mercado de trabalho devem seguir apresentando maior resiliência mentidas as bases da conjuntura atual, ainda que em nível inferior ao que se previa no início do ano, haja vista que o choque de oferta gerado pela eclosão do conflito no Oriente Médio e a alta do preço do petróleo devem ser responsáveis por corroer parcela importante da renda das famílias em função do nível mais elevado de inflação. Seguimos projetando crescimento de 0,4% para o PIB do segundo trimestre e alta de 1,7% ao final do ano.
Para fins de política monetária, a manutenção e aprofundamento de um processo de crescimento com estas características não devem ser vistos como entrave para o BC dar continuidade ao seu ciclo de calibragem da política monetária. Além de ter menos características inflacionárias, é notável que a pressão sobre o IPCA observada recentemente é em grande medida fruto de choques de oferta, algo pouco controlável do ponto de vista da política monetária. Todavia, a resiliência do setor de serviços e o elevado represamento de custos ao longo das cadeias de bens industriais representam riscos de curto e médio prazo que não tendem a ser desconsiderados pela autoridade monetária, atuando como limitadores de um ciclo extensivamente longo.
O que é a Pesquisa Mensal de Comércio?
A PMC é um levantamento estatístico realizado mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Seu principal objetivo é analisar o desempenho do setor varejista e atacadista no país, oferecendo dados atualizados e completos sobre as atividades comerciais no país.
Para capturar informações abrangentes, o IBGE utiliza uma metodologia robusta na coleta de dados para a PMC.
A pesquisa é conduzida em estabelecimentos comerciais de diferentes regiões do Brasil, abrangendo tanto o comércio varejista quanto o atacadista.
Os dados são obtidos por meio de questionários respondidos pelos próprios estabelecimentos, onde são solicitadas informações detalhadas sobre as vendas realizadas durante o período estabelecido.
Esses dados são coletados e compilados pelo IBGE para análise. A PMC apresenta diversos indicadores-chave que refletem o desempenho do comércio. Alguns dos mais importantes são:
Volume de Vendas: Mostra a quantidade de bens e serviços vendidos durante o período analisado.
Receita Nominal: Reflete o faturamento total das vendas, sem considerar a inflação.
Variação Percentual: Compara o desempenho atual com períodos anteriores, indicando se houve crescimento ou queda nas vendas.
Para que serve a Pesquisa Mensal de Comércio?
A Pesquisa Mensal de Comércio é uma ferramenta essencial para compreender a dinâmica do comércio no Brasil.
Seus dados são utilizados por empresas, investidores e órgãos governamentais para embasar decisões estratégicas, entender o mercado e antecipar tendências.
Então, em resumo, a Pesquisa Mensal de Comércio desempenha um papel crucial em diversos aspectos, como:
Indicador econômico: Os dados coletados permitem a criação de indicadores que ajudam na compreensão do desempenho do comércio. Isso auxilia na elaboração de estratégias econômicas e na tomada de decisões por parte de empresas, investidores e governo.
Avaliação de tendências: Ao analisar as variações mensais, é possível identificar tendências de consumo. Essas informações são vitais para ajustar estratégias de vendas, lançar produtos ou serviços e adaptar-se às demandas do mercado.
Política monetária e fiscal: Os dados da PMC são considerados pelo Banco Central na definição de políticas monetárias. As informações sobre o comportamento do comércio influenciam as decisões sobre taxas de juros e outras medidas financeiras.
Referência para investimentos: Investidores e empresas utilizam os dados da PMC para avaliar setores promissores, identificar oportunidades de investimento e estimar riscos associados a determinados segmentos do mercado.
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