A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) é um dos pilares fundamentais para compreender o panorama econômico do país.
Ela fornece insights valiosos sobre as atividades comerciais, ajudando a entender as tendências de consumo, o desempenho do varejo e atacado, e suas interações com a economia nacional.
Quer saber mais sobre o tema? Confira o conteúdo completo e veja a análise dos dados do comércio no Brasil, referentes a janeiro de 2026.
Análise da Pesquisa Mensal de Comércio de janeiro de 2026
Por Matheus Pizzani, economista do PicPay.
As vendas no varejo registraram alta mensal de 0,4% em janeiro, revertendo integralmente a queda observada no mês anterior, além de apresentarem alta de 2,8% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Em 12 meses, o setor de varejo apresenta crescimento de 1,6%. Qualitativamente, o resultado foi marcado pelo efeito sobre o volume de vendas dos principais aspectos conjunturais do período, como, por exemplo, a queda de 1,3% do grupo de combustíveis e lubrificantes, desempenho que foi ao encontro do maior nível de inflação dos principais itens comercializados neste segmento, como a gasolina (+2,06%), etanol (+3,44%) e óleo diesel (+0,52%). Em contrapartida, o leve arrefecimento apresentado pela taxa de variação da inflação de alimentação e bebidas, que saiu de 0,27% para 0,23% entre dezembro e janeiro, se mostrou benéfico para o volume de vendas dos hiper e supermercados, que reverteram a retração de 0,2% em dezembro e fecharam janeiro com alta de 0,4% MoM.
Ainda na linha de análise do resultado sob o prisma conjuntural, destaque para a estagnação apresentada pelo volume de vendas de móveis e eletrodomésticos, que havia recuado 0,5% em dezembro. Tal sequência mostra que tanto a não ocorrência de uma correção estatística em função da queda no mês anterior quanto um eventual impulso de consumo por itens do grupo em função da elevação de renda característica do início do ano proporcionada por fatores como o reajuste do salário-mínimo foram incapazes de exercer efeito de alta sobre o resultado desta categoria, movimento que ganha ainda mais importância quando considerado o impacto da política monetária e do nível de juros sobre a demanda deste tipo de bens, reforçando a perspectiva positiva para a inflação dos bens industriais neste início de ano e o espaço para o início do ciclo de corte de juros nas próximas reuniões do Copom.
Um eventual surpresa com o resultado divulgado hoje pode ser atribuída à fatores sazonais, com destaque para a alta de 1,8% apresentada pelo grupo de tecidos, vestuário e calçados, cuja demanda no início de ano de fato costuma ganhar tração em função da introdução de novas coleções e do próprio crescimento da renda por conta dos efeitos supracitados. Contribuiu para este movimento também a deflação de 0,25% apresentada pelo grupo de vestuário, combinação que pode ser interpretada como uma forma dos vendedores aproveitarem a maior demanda sazonal e potencializar suas vendas através da adoção de níveis mais baixos de preço.
Prospectivamente, julgamos existir espaço para manutenção do crescimento do volume de vendas do varejo, embora com uma composição específica para a conjuntura em questão. Destaque neste caso para o consumo de bens não duráveis de caráter essencial, como os alimentos, e dos semiduráveis, como vestuário e calçado. Enquanto os primeiros devem se beneficiar de condições favoráveis de oferta, fator primordial para segurar a evolução de seus respectivos preços, o segundo deve se fazer valer do mesmo movimento de queda de preços observado em janeiro para ampliar seu volume de vendas ao menos nos primeiros meses do ano. Por outro lado, a expectativa segue essencialmente negativa para componentes com maior exposição ao ciclo econômico, em especial os móveis e eletrodomésticos, que devem continuar a apresentar oscilação negativa em seu volume de vendas em função do patamar ainda restritivo dos juros e da menor propensão das famílias a consumir este tipo de bem dado o nível ainda relativamente elevado de endividamento. Projetamos crescimento de 1,6% para o comércio em 2026, mantendo nossa perspectiva de 1,7% para o PIB.
O que é a Pesquisa Mensal de Comércio?
A PMC é um levantamento estatístico realizado mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Seu principal objetivo é analisar o desempenho do setor varejista e atacadista no país, oferecendo dados atualizados e completos sobre as atividades comerciais no país.
Para capturar informações abrangentes, o IBGE utiliza uma metodologia robusta na coleta de dados para a PMC.
A pesquisa é conduzida em estabelecimentos comerciais de diferentes regiões do Brasil, abrangendo tanto o comércio varejista quanto o atacadista.
Os dados são obtidos por meio de questionários respondidos pelos próprios estabelecimentos, onde são solicitadas informações detalhadas sobre as vendas realizadas durante o período estabelecido.
Esses dados são coletados e compilados pelo IBGE para análise. A PMC apresenta diversos indicadores-chave que refletem o desempenho do comércio. Alguns dos mais importantes são:
Volume de Vendas: Mostra a quantidade de bens e serviços vendidos durante o período analisado.
Receita Nominal: Reflete o faturamento total das vendas, sem considerar a inflação.
Variação Percentual: Compara o desempenho atual com períodos anteriores, indicando se houve crescimento ou queda nas vendas.
Para que serve a Pesquisa Mensal de Comércio?
A Pesquisa Mensal de Comércio é uma ferramenta essencial para compreender a dinâmica do comércio no Brasil.
Seus dados são utilizados por empresas, investidores e órgãos governamentais para embasar decisões estratégicas, entender o mercado e antecipar tendências.
Então, em resumo, a Pesquisa Mensal de Comércio desempenha um papel crucial em diversos aspectos, como:
Indicador econômico: Os dados coletados permitem a criação de indicadores que ajudam na compreensão do desempenho do comércio. Isso auxilia na elaboração de estratégias econômicas e na tomada de decisões por parte de empresas, investidores e governo.
Avaliação de tendências: Ao analisar as variações mensais, é possível identificar tendências de consumo. Essas informações são vitais para ajustar estratégias de vendas, lançar produtos ou serviços e adaptar-se às demandas do mercado.
Política monetária e fiscal: Os dados da PMC são considerados pelo Banco Central na definição de políticas monetárias. As informações sobre o comportamento do comércio influenciam as decisões sobre taxas de juros e outras medidas financeiras.
Referência para investimentos: Investidores e empresas utilizam os dados da PMC para avaliar setores promissores, identificar oportunidades de investimento e estimar riscos associados a determinados segmentos do mercado.
Se esse é o seu caso, fica aqui uma dica: conheça o podcast Diário Econômico, que repercute os principais acontecimentos que afetam os mercados.
Apresentado de forma simples e objetiva, os episódios lançados de segunda a sexta-feira — sempre às 6h — trazem informações essenciais para começar o dia bem informado, em apenas cinco minutos.
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