A Copa do Mundo é muito mais do que futebol. Para o brasileiro, o mundial é um evento social, cultural e, cada vez mais, um momento decisivo de consumo. Com a edição de 2026 se aproximando, uma pesquisa exclusiva realizada pelo PicPay com sua base de clientes revela dados que ajudam a entender como o torcedor pretende viver, gastar e se relacionar com marcas durante o torneio.
O levantamento aponta tendências claras: o consumo será majoritariamente doméstico, a disposição para experimentar novos produtos está alta e o fator decisivo para a conversão é a percepção de vantagem financeira real. A seguir, detalhamos os principais achados da pesquisa e o que eles significam para consumidores, marcas e o mercado.
A casa é o estádio: onde o brasileiro vai assistir aos jogos
O primeiro dado relevante da pesquisa diz respeito ao ambiente em que o brasileiro pretende acompanhar as partidas. Os números são expressivos:
- 77% dos entrevistados afirmam que vão assistir aos jogos em casa
- 23% pretendem ir à casa de amigos ou familiares
- 12% planejam frequentar bares
- 8% devem ir a eventos públicos ou festas temáticas
O que isso significa para o consumo
O lar se consolida como o principal palco da Copa para o brasileiro. Essa não é exatamente uma novidade — edições anteriores já apontavam essa tendência —, mas os números de 2026 reforçam um movimento que se intensificou nos últimos anos. O consumidor prefere o conforto, a economia e a praticidade de montar sua própria experiência em casa.
Essa escolha tem desdobramentos diretos no tipo de produto e serviço que será demandado. Quem assiste em casa investe no ambiente (televisores, som, decoração), na alimentação (churrasco, lanches, bebidas) e na conveniência (delivery, compras online, entrega rápida). É um ecossistema de consumo que se organiza ao redor da sala de estar.
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O papel do smartphone na experiência doméstica
Assistir em casa não significa estar desconectado. Pelo contrário: o celular se torna um segundo (ou primeiro) écran durante os jogos. O torcedor comenta nas redes sociais, busca ofertas, faz pedidos de delivery e interage com campanhas de marcas — tudo simultaneamente. Para o varejo e para os anunciantes, isso representa uma janela de atenção prolongada e multitarefa.
Novas marcas, novas experiências: a abertura do consumidor
Um dos achados mais relevantes da pesquisa é a disposição do brasileiro para experimentar novos produtos e serviços durante a Copa. Oito em cada dez consumidores afirmam que pretendem testar algo novo no período, o que configura uma oportunidade significativa para marcas que desejam conquistar novos clientes.
O que motiva a experimentação
A abertura para o novo, porém, não é incondicional. O estudo identifica três fatores que impulsionam essa disposição: descontos (67%), parcelamento (30%) e entrega rápida (22%).
Os dados revelam um consumidor racional. A Copa amplia a atenção e a disposição emocional, mas a decisão de compra segue ancorada em benefícios financeiros concretos. O desconto é, de longe, o principal gatilho — quase sete em cada dez consumidores citam esse fator como determinante para experimentar uma marca nova.
Racionalidade dentro da emoção
Há uma dualidade interessante aqui. A Copa do Mundo é um evento de alta carga emocional. No entanto, o consumidor brasileiro demonstra que, mesmo imerso nesse contexto, mantém critérios objetivos na hora de abrir a carteira.
Como destaca Alexandre Moshe, VP executivo de Audiências e Ecossistema do PicPay: “O brasileiro vive a Copa dentro de casa, comparando ofertas e escolhendo com racionalidade. O evento amplia a atenção, mas a conversão depende de um benefício claro”.
Essa combinação de emoção contextual com decisão racional é um dado fundamental para qualquer estratégia de marketing durante o mundial. Não basta associar a marca ao clima de Copa; é preciso oferecer uma vantagem tangível.
O que o brasileiro quer comprar na Copa
A pesquisa também mapeou as principais intenções de compra para o período. Os dados mostram uma composição que reflete diretamente o cenário de consumo doméstico.
Produtos mais desejados
- Televisores: 40%
- Camisetas de seleção: 20%
- Itens para churrasco: 19%
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O destaque para televisores evidencia o investimento na experiência de assistir aos jogos. Trocar de TV ou comprar uma tela maior é, para muitos, parte do ritual de preparação para o mundial. É uma compra planejada, de ticket médio mais alto, e que frequentemente depende de condições de parcelamento atrativas.
As camisetas de seleção representam o aspecto identitário e emocional do evento — vestir-se de verde e amarelo é participar simbolicamente do torneio. Já os itens para churrasco conectam consumo e socialização, reforçando a lógica de reunir pessoas em casa.
Alimentação: o cardápio da Copa
Na categoria de alimentos e bebidas, os dados confirmam o churrasco como protagonista: 65% dos respondentes apontaram a preferência, enquanto 30% deve optar por anches preparados em casa, como sanduíches e bolos.
O churrasco é, historicamente, o acompanhamento favorito do brasileiro para grandes eventos esportivos. Ele combina praticidade (pode ser feito no quintal ou na varanda), socialização (é uma atividade coletiva) e celebração. Os 65% que citam o churrasco sinalizam demanda por carnes, carvão, temperos, bebidas e utensílios — uma cadeia de consumo que mobiliza diversos setores.
Os lanches caseiros, por sua vez, indicam uma alternativa mais acessível e prática, especialmente para jogos em dias de semana ou para quem assiste sozinho ou em grupos menores.
Publicidade e atenção: como as marcas podem se destacar
O período da Copa do Mundo é reconhecidamente um dos mais disputados pela publicidade. A pesquisa do PicPay traz dados que ajudam a calibrar essa estratégia.
Atenção redobrada aos anúncios
Sete em cada dez torcedores afirmam prestar mais atenção a anúncios com temática de Copa do Mundo. É um dado expressivo: o contexto esportivo funciona como um amplificador de atenção publicitária. Campanhas que dialogam com o clima do mundial ganham mais espaço mental do consumidor.
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Atenção não é conversão
No entanto, a pesquisa também revela que a atenção ampliada não se traduz automaticamente em compra. A decisão final permanece condicionada à percepção de vantagem concreta. Ou seja: o consumidor nota mais os anúncios temáticos, mas só age quando identifica um benefício real (desconto, condição especial, entrega rápida).
O celular como canal estratégico
Com a maioria dos torcedores em casa e conectados, o smartphone se consolida como o principal ponto de contato entre marcas e consumidores durante os jogos. Felipe Julião, executivo de Ads do PicPay, contextualiza essa oportunidade:
“Com mais pessoas em casa e conectadas ao celular, as marcas conseguem estar presentes ao longo de diferentes momentos da jornada, combinando contexto, mídia e incentivos para estimular a conversão.”
A lógica é de presença distribuída: não se trata apenas de impactar o consumidor no intervalo do jogo, mas de acompanhá-lo antes, durante e depois. Cada momento oferece uma oportunidade diferente de engajamento.
Tendências de consumo que a Copa 2026 consolida
A partir dos dados da pesquisa, é possível identificar tendências mais amplas que a Copa do Mundo 2026 está consolidando no comportamento do consumidor brasileiro.
1. Consumo doméstico como padrão
A preferência por experiências em casa não é exclusiva da Copa — é uma tendência que se fortaleceu nos últimos anos em diversas categorias. O mundial, porém, catalisa esse movimento, concentrando demanda por produtos e serviços que melhorem a experiência doméstica.
2. Racionalidade financeira persistente
Mesmo em um contexto emocional intenso, o consumidor brasileiro mantém critérios racionais de decisão. Descontos, parcelamento e custo-benefício seguem como fatores determinantes. Marcas que confiam apenas no apelo emocional correm o risco de gerar awareness sem conversão.
3. Experimentação condicionada
A abertura para novas marcas é alta, mas não é incondicional. O consumidor está disposto a experimentar, desde que a barreira de entrada seja baixa (desconto) ou o risco financeiro seja diluído (parcelamento). É uma janela de oportunidade real, mas que exige estratégia clara de incentivo.
4. Multicanalidade e simultaneidade
O torcedor em casa é, simultaneamente, espectador (TV), participante social (redes sociais), consumidor (apps de delivery e e-commerce) e receptor de mídia (publicidade digital). Essa multiplicidade de papéis demanda estratégias de comunicação integradas e presença em múltiplos canais.
5. Socialização com praticidade
Reunir pessoas em casa para assistir aos jogos combina o desejo de conexão social com a praticidade de não sair. Produtos e serviços que facilitam essa experiência coletiva doméstica — delivery, kits prontos, experiências de entretenimento — estão bem posicionados.
O que esperar do consumo durante a Copa do Mundo 2026
Com base nos dados da pesquisa, é possível projetar um cenário de consumo durante o mundial:
- Varejo de eletrônicos deve experimentar pico de demanda por TVs e equipamentos de som, com parcelamento como fator decisivo
- Setor alimentício terá demanda concentrada em carnes, bebidas e snacks, com supermercados e apps de delivery como canais principais
- E-commerce tende a registrar aumento de tráfego e conversão, especialmente em categorias associadas à experiência doméstica
- Mídia digital ganha relevância pela presença constante do celular durante os jogos, com formatos que combinam contexto esportivo e incentivo financeiro
- Marcas têm oportunidade real de conquistar novos consumidores, desde que ofereçam condições atrativas de entrada
A Copa como termômetro do consumo brasileiro
A pesquisa do PicPay revela que a Copa do Mundo 2026 não será apenas um evento esportivo, mas um catalisador de comportamentos de consumo que já vinham se consolidando. O brasileiro está mais caseiro, mais racional e mais aberto a novas experiências — desde que as condições sejam favoráveis.
Para consumidores, o recado é claro: haverá oportunidades reais de economia e experimentação durante o mundial. Para marcas, o desafio é combinar relevância contextual com benefício tangível. A atenção estará amplificada, mas a conversão continuará dependendo de estratégia, incentivo e conveniência.
A Copa começa dentro de casa. E é lá que as decisões de consumo estão sendo tomadas.